
Ufa. Quase 2 anos se passaram do sono de Kate. Quando percebi que o site ainda é visitado, penso que está na hora de nossa amiga acordar. Kate vive isolada em seu mundinho particular. Mas sabe que deve sair à vida, que lhe chama, abatida: "Kate acorde! Temos muito o que conversar".
Kate se levanta. Os olhos não sabem muito bem o que registram. Um quarto branco, uma lâmpada sobre sua cabeça. Ela olha ao redor, assustada e confusa. Percebe que não está em casa, pois há luz. Uma luz branda, cálida, que cega ao mesmo tempo. KAte vira o rosto e vê uma porta. Na janela, bem à frente, sol entrando devagar. Pensou logo: "Será que morri?". Entra uma enfermeira. Olha bem pra ela. Não diz nada. Kate começa a questioná-la: "Onde estou?". Sem resposta. A mulher lhe mede a pressão, olha os dedos, abre seus olhos mais ainda e examina as pupilas. A pergunta se repete: "Onde estou?", agora em um tom um pouco mais alto. Nada. A mulher finge que não sabe de nada. Mas esconde todas as respostas que Kate precisa. "Onde???". Nada novamente. Kate começa a se debater. A mulher continua fingindo. E sai. Kate protesta. Bate as pernas na cama. E bate forte os pulsos no leito. Uma dor súbita a atinge. Ela olha e percebe. Duas grandes cicatrizes, mal fechadas. Dor. Ela não lembra de nada, a não ser da dor que lhe atinge agora, como na noite em que tentou cortar os pulsos. Suavemente com uma lâmina. A mesma dor volta, agora instalada também em seu coração.
Sanatório Villete.
Kate está começando a lutar contra si mesma. Sem vantagem para uma. Ou para outra.
Acorde Kate. Temos muito o que conversar.


Leia este blog no seu celular