Kate´s Life


06/10/2005


Os espelhos d´alma.

Kate chegou em casa bufando. Sair pra fazer compras era um desastre. Ela detestava encontrar pessoas, detestava filas intermináveis, odiava ter que dizer Bom Dia! Aos vizinhos. Faltava apenas uma quadra para que a doce, suave e darkness Kate chegasse ao seu destino. Caminhando distraída, ela apertou os passos e sentiu que ia tombar quando bateu de frente com uma mulher. Afrontada, Kate deixou as sacolas com pães caírem, e se botou a gritar:

-         Não olha por onde anda, não??????? – disse Kate, erguendo agora os olhos, pra olhar mais de perto aquela mulher.

-         Não, porque sou cega.

Kate sentiu a pele arrepiar. Os olhos da mulher tinham um vago brilho cinza, e ela não sabia o que dizer. Envergonhada, se ofereceu para pegar a bengala no chão, e se surpreendeu com a negativa da mulher, que silenciosamente apanhou o objeto do chão frio.

-         Não sou nenhuma incapaz. Eu mesmo pego minha bengala.

Ao olhar mais de perto, Kate pode observar o quanto ela era estranha. A mulher não enxergava nada, pelo menos nada daquilo que se pode captar com uma retina. E Kate parou pra pensar em quantas vezes bloqueou seus olhos, em quantas vezes seus olhos saudáveis (seriam mesmo tão saudáveis?) haviam se fechado pro mundo. Terminou de arrumar as coisas, e ia saindo quando ouviu a facada em seus ouvidos.

-         Tenho pena de você. Tenho pena de pessoas cegas – disse a mulher.

E Kate nunca mais esqueceu aquela frase, que fez a jovem Kate ficar surda.

Deficiências que nunca vão ser curadas.

Escrito por :::::: Cris :::::: às 21h39
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