
Os pés de Kate no lago refletiam alguns caminhos que já haviam sido percorridos. Talvez não pelos pés da jovem Kate, mas pelos seus pensamentos sempre andantes, sempre distantes. E Kate sentada ali, a beira de um lago qualquer, desejava apenas ser um anjo por alguns instantes, pra voar acima de seus próprios sonhos. A sensação que lhe vinha ä mente era de um sonho que já havia acabado, e por vezes Kate tinha essa sensação estranha. De que as coisas terminariam a qualquer momento, e rápido demais, como um estampido de arma fulminante, cortando a velocidade da luz, e levando embora os momentos bons que passavam, brevemente, pelo coração. Como se a vida tivesse lhe estapeado por muitos anos e dias, mas agora, por trégua, a vida também cansava de apanhar de Kate. Porque Kate era assim. A jovem e desprotegida Kate carregava em si uma força que propriamente lhe dava algum medo. Era algo devastador, que Kate continha, uma revolta que por vezes lhe machucava o coraÇão. E quanto mais a vida batia, mas Kate revidava. Era assim, ou apanhava. E diante de tanta superação, Kate puxava fôlego para as demais batalhas na beira daquele lago que na verdade não existia, ele estava ali, nos sonhos fechados e únicos de Kate. E ela sonhava sempre como lago, o lago que lhe dava fôlego para continuar, machucada, por certo, mas cada vez mais forte. E Kate ficou ali, ofegante, depois de suas batalhas pessoais vencidas, ela era só mais uma lutando contra si mesma. Apenas mais uma querendo que um anjo viesse lhe buscar e dar-lhe uma folga da vida que insistia em continuar. E KAte ali, os pés no lago quente, até sentir as costas doendo. E doendo mais. E Kate sabia que o único anjo que poderia lhe salvar era ela mesma. “Não espere que ninguém segure sua barra”, ela lembrou. E nas costas de KAte as asas estavam presas. Até ela acordar e enfrentar a vida novamente.



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