Kate´s Life


06/09/2005


Kate's angel.

 

Os pés de Kate no lago refletiam alguns caminhos que já haviam sido percorridos. Talvez não pelos pés da jovem Kate, mas pelos seus pensamentos sempre andantes, sempre distantes. E Kate sentada ali, a beira de um lago qualquer, desejava apenas ser um anjo por alguns instantes, pra voar acima de seus próprios sonhos. A sensação que lhe vinha ä mente era de um sonho que já havia acabado, e por vezes Kate tinha essa sensação estranha. De que as coisas terminariam a qualquer momento, e rápido demais, como um estampido de arma fulminante, cortando a velocidade da luz, e levando embora os momentos bons que passavam, brevemente, pelo coração. Como se a vida tivesse lhe estapeado por muitos anos e dias, mas agora, por trégua, a vida também cansava de apanhar de Kate. Porque Kate era assim. A jovem e desprotegida Kate carregava em si uma força que propriamente lhe dava algum medo.  Era algo devastador, que Kate continha, uma revolta que por vezes lhe machucava o coraÇão. E quanto mais a vida batia, mas Kate revidava. Era assim, ou apanhava. E diante de tanta superação, Kate puxava fôlego para as demais batalhas na beira daquele lago que na verdade não existia, ele estava ali, nos sonhos fechados e únicos de Kate. E ela sonhava sempre como lago, o lago que lhe dava fôlego para continuar, machucada, por certo, mas cada vez mais forte. E Kate ficou ali, ofegante, depois de suas batalhas pessoais vencidas, ela era só mais uma lutando contra si mesma. Apenas mais uma querendo que um anjo viesse lhe buscar e dar-lhe uma folga da vida que insistia em continuar. E KAte ali, os pés no lago quente, até sentir as costas doendo. E doendo mais. E Kate sabia que o único anjo que poderia lhe salvar era ela mesma. “Não espere que ninguém segure sua barra”, ela lembrou. E nas costas de KAte as asas estavam presas. Até ela acordar e enfrentar a vida novamente.

Escrito por :::::: Cris :::::: às 20h35
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05/09/2005


Kate brincando com as borboletas no jardim

Belo dia. Dias de sol na vida de Kate. A pele branca refletia um ar de domingo, embora fosse segunda-feira. Kate levantou cedo, não pela insônia, mas pela ânsia de um dia diferente em sua vida. Saiu da cama com os pés quentes, e os botou no chão gelado. O cabelo era desgrenhado, com pontas sutilmente soltas, formando uma cascata negra que ia até a cintura. Olhou no relógio. 7:12 AM. Cedo para os horários exorbitantes de Kate, que lembrou que tinha um relógio só naquele momento. Botou um vestido preto. Depois trocou por um azul. E novamente por um preto. Há de ser diferente todos os dias, mas não poderia ela perder sua essência. Caminhou até a porta, mas aquele caminho era estranho, afinal, na rua em que morava, deserta, mas arborizada, poucos se atreviam a ficar em casa, mas Kate, como sempre, era a exceção. Brevemente, em um movimento rápido, girou a maçaneta. A sensação que sentiu pode ser descrita como: Um dia de frio, e um cobertor que estava no sol sendo enrolado em você. Haveria sensação melhor. Kate foi de pé em pé, e caminhou lentamente até o portão, que rangeu de surpresa, e de falta de costume. Ao andar, Kate viu que as árvores faziam sombras bonitas no chão, como suas pinturas. E iam formatando cores, texturas, texturas que encantaram a jovem desprotegida, mas tão forte Kate. Ao chegar no fim da rua, viu a placa contra o muro do Jardim Sunset. RUA SEM SAíDA. Em outros tempos, Kate desistiria, e voltaria a se fechar em seu casulo de pedra. Mas desta vez ousou. Tirou os sapatos, e pulou o muro. E descobriu que atrás do muro sem saída, havia o mais belo jardim de seu bairro. E Kate jamais poderia descrever o jardim, porque haviam nuvens no céu se movimentando rapidamente, e desenhavam mais sombras no chão, e havia também um vento quente, que mexia devagar os cabelos de Kate. E as árvores eram lindas, mesmo com as flores pequeninas caídas no chão, formando um tapete colorido. E sentindo os pés descalços na grama fofa, ela percebeu que atrás dos nossos muros pessoais sempre existem os jardins. Kate fechou os olhos. Depois abriu. E foi brincar com as borboletas.

Escrito por :::::: Cris :::::: às 21h01
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