
Curiosidade. Kate debruçada na janela embaçada pela chuva. Onde estariam as estrelas nos dias de chuva? Não sabia. Mas estavam lá. Em algum lugar, atrás das nuvens que se formavam, que mandavam mais água pro mar. Minutos que se perderam, a chuva cessara e o céu começara a abrir. Kate pode ver uma. Duas. Três pontos brilhantes no céu. Fixou o olhar em uma, perdeu a outra. Viu a outra, perdeu a terceira. Porque não era possível ver todas as estrelas ao mesmo tempo? Porque não notar a imensidão do céu por inteiro, para contemplar o infinito? Kate saiu da janela. Precisava descobrir. Buscou os livros científicos, fez estudos sobre as dimensões do céu, o olho humano, a intensidade da luz de cada estrela. Entrevistou pessoas, vizinhos, o cachorro, o gnomo de pelúcia. Não encontrou nada além de silêncio. Voltou pra janela, o céu estava quase limpo agora. Kate via cada vez mais estrelas em sua percepção, mas acontecera de novo: Cada vez que se fixava em uma estrela perdia as demais. Não havia explicação para aquilo, pois se não o universo criaria uma maneira de emanar poucas luzes, e não tantas, e tão belas, ao mesmo tempo. Kate tinha poucas respostas. Mal e mal conhecia a si mesma, que dirá ao sistema das estrelas. Mais estrelas, mais brilhantes pipocavam de céu. E de um telescópio no sótão veio a resposta. Ao mirar uma estrela, Kate viu o quão bela era ela. E percebeu que cada uma poderia ser vista de uma só vez, porque o brilho que ofuscava a lente era digno de uma contemplação única. Assim Kate veria o quão brilhantes eram as estrelas. Mas uma de cada vez. E assim Kate começou a perceber as estrelas no céu, todas que poderiam lhe trazer o brilho de uma noite solitária. Até que o tempo fechasse e começasse novamente a chover. Não importava, afinal. Aquele brilho estava guardado nos olhos e no coração de Kate.


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