Kate´s Life


13/07/2005


O dia em que Kate saiu do Casulo

Frio. Manhã fria. Kate se põe a olhar. O quarto está igual, os ursos amontoados em um canto do quarto. Os pincéis repousando com restos de tinta. Sol entrando pelas frestas, pra anunciar mais um dia. Mais um dia na vida de Kate. Mais um. Ela se levanta, silêncio absoluto no apartamento. Até que repara em uma sombra na janela. Não é sombra de sol, é sombra de movimentos mais detalhados. Com cuidado, abre a persiana. Não queria espantar um pássaro, se fosse mesmo um. E pela janela, entrou uma dessas borboletas de cor enigmática, batendo as asas rápidamente, de ansiedade, ou talvez de frio. A borboleta ficou vagando pelo apartamento. Entrou na cozinha, depois na sala, até se prender no quarto. Não saía de lá de jeito nenhum, e Kate começou a ficar incomodada. Saia já daí, borboleta estúpida. Mesmo que esteja frio, olhe o mundo de liberdade que você tem lá fora. Vá pousar em cima de uma árvore, pra brincar na neve. Vá acompanhar as caminhadas, ou comece a remover o gelo em cima das flores. Melhor. Vá voar por cima de um lago, ou então vá tomar um banho rápido no chafariz. Não quer? Então vá brincar com as crianças, aquelas que insistem em pegar suas asas e nunca conseguem. Porque ficar presa neste quarto? É escuro aqui. É escuro. E... E... Kate então parou de resmungar. Olhou-se no espelho. Como dava conselhos para a borboleta, se vivia presa no quarto também. Como orientá-la a coisas que só viviam em seu sub consciente? Kate abriu mais uma vez a janela. Árvores com gelo. Caminhadas. Crianças. Esse mesmo mundo que por vezes parece distante. Pegou o casaco, saiu, foi caminhar. A borboleta foi atrás. Tinha cumprido sua missão.

Escrito por :::::: Cris :::::: às 17h03
[ ] [ envie esta mensagem ]
Busca na Web:

Perfil