Kate teve um sonho. Kate não contou pra ninguém. Mas parecia, parecia verdade.

Kate andava por uma rua escura. A rua não tinha placas, nem indicações. Era uma dessas ruas estranhas, nas quais evita passar qdo está acordado. Mas como no sonhos tudo é possível, você nem escolhe, às vezes você está lá sem perceber. Kate caminhava. Apressada, ela tinha medo daquela rua e do que poderia surgir atrás da penumbra. Quando deu os primeiros passos em direção ao que ela considereva luz, viu um vulto. Não definido, parecia estar coberto por uma fina névoa, suficiente para desfigurá-lo. Andou mais um passo. Agora estava mais próxima ainda do que lhe dava medo. E uma mistura de curiosidade e pavor passava pela cabeça de Kate quando ela chegou a essa dúvida: Ir de encontro ao que lhe dava medo ou correr como uma menina assustada? Era certo que a segunda opção lhe daria uma certa instabilidade, mas que segurança traria? E o raciocínio de Kate foi esse: Se eu der as costas para “isto”, seja “isto” o que for, essa coisa vai me perseguir. Correndo, estarei de costas, sem reação, não saberei sequer a direção que o problema estará seguindo e o que estará tramando contra. Já se enfrentá-lo, terei como me proteger, ou não. E o vulto ali. Kate não tinha a opção dos lados, já que aquele era um esquema fechado. Quando avançou mais alguns centímetros, o vulto aproximou-se em uma fração de segundos, e lhe atravessou o corpo, sentindo ela um frio que lhe perfurou os rins. Agora o problema estava nela. Não havia opção de fugir, não havia chance de ficar, o problema estava nela. Começou a se perguntar como sairia dessa. E continuou caminhando na rua escura, até encontrar algo que lhe amedrontou mais ainda: Um espelho. Nele, ela. E o problema. Ambos em uma mesma silhueta, refletidos em um pedaço de vidro. E o vidro dava medo à Kate.


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