Kate´s Life


22/06/2005


Repórter. Profissão Perigo.

 

Apesar de todas as matérias feitas até hoje, acho que só a pouco tempo eu caí de cara no mercado de trabalho real. Profissão Jornalista. Profissão perigo. Era uma manhã normal de trabalho. Matérias triviais. Até que percebemos um carro do POE (Pelotão de Operações Especiais) perto do nosso carro. Espírito de jornalismo aguçado. Aquele carro chamando a gente pra emoção. Let´s go. – Estamos indo para uma operação no mato q cerca o Santuário ds mães. Desmanche de carros. Houve um tiroteio com a Brigada há pouco tempo. – Disse o comandante. – Vocês nos acompanham?
Brilho nos olhos. O meu cinegrafista já tinha feito coisas assim, mas e eu? Eu nunca tinha feito nada parecido. Aceitamos. E fomos. Atrás deles. Escoltados. Chegada ao Santuário. – Teremos que deixar o carro aqui. Vamos seguir a pé.- disse o tenente. Mas... e os coletes a prova de balas? – Questionei. Nada. Nenhum. E lá fomos nós. Três brigadianos na frente, armados, cautelosos. Um brigadiano atr´s, com uma singela 12 na mão. Medo. Apreensão. Parecia que levaríamos um tiro a qualquer momento. Eu estava suando frio. A mata começou a ficar cada vez mais fechada. Eles trabalham em um silêncio absoluto, apenas por sinais. Por vezes, o sinal da cabeça mandava: Abaixem-se. Risco de tiros. E cada vez que isso acontecia, me passava pela cabeça “E se eu não conseguir abaixar a tempo? E se eu for atingida??” Nunca senti tanto medo. Era muita tensão. Chegamos ao desmanche de um carro. Mas que carro? Já não estava mais lá. Destroços aqui e ali, e o resto, provavelmente, já habitando o ferro velho. Missão cumprida, é hora de voltar. Pela mesma trilha. Agora mais calma, pude compreender o trabalho do POE. Durante algum tempo, trocando palavras, comentei que jamais me casaria com um Brigadiano. A sensação de não saber se você vai ver um deles de novo, é meio angustiante. E por um momento, me coloquei no lugar das mulheres deles, dos filhos, da família. É um trabalho arriscado. E no final, um dos soldados comentou. “ Estamos sempre atentos ao colega. Queremos que todos voltem pra casa.” Espírito de união. Parabéns ao trabalho do POE. Profissionais que colocam a vida em risco para salvar outras vidas.

Escrito por :::::: Cris :::::: às 17h48
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