Kate´s Life


25/05/2005


Eric Clapton - Change The World
If I could reach the stars,
I'd pull one down for you.
Shine it on the heart,
So you could see the truth.
That this love I have inside,
Is everything it seems
But for now I find,
It's only in my dreams

That I can change the world
I would be the sunlight in your universe
You would think my love was really something good
Baby, if I could change the world

If I could be king,
Even for a day
I'd take you as my queen,
I'd have it no other way

And this love of ours would rule,
This kingdom we have made
Till then I'll be a fool,
Wishin' for the day

That I can change the world,
I would be the sunlight in your universe.
You would think my love was really something good,
Baby if I could change the world.
Baby if I could change the world.

I could change the world,
I would be the sunlight in your universe.
You would think my love was really something good,
Baby if I could change the world.
Baby if I could change the world.
Baby if I could change the world.

 

 

Escrito por :::::: Cris :::::: às 12h45
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Corredor

Luzes ali. Deve ser ali. Só pode ser ali. Depois de tanto caminhar procuro uma saída, uma válvula de escape. Mas eu grito, ninguém me escuta, fingem que não há nada de mim, e se preocupam em correr também até a luz. Estou machucada, preciso de ajuda, eu gritava. Ninguém ali pra me ajudar. Ninguém pra me impulsionar até a saída, ninguém pra me mostrar o caminho. Tento enxergar o movimento, mas não enxergo o reflexo no espelho do corredor. Não se parece comigo, minha alma está rasgada e suja. Não lembro do meu sorriso, e mesmo que tente demonstrá-lo agora, sinto que ficaria falso demais. Levo em mim o meu passado, angustiado, e seu peso parece triplicado. Quando começo a perder a saída de vista, sinto um desespero. Terei que deixar esse pelo ali, para que seja pisoteado. Mas como me livrar das coisas que mais amo? Não. Tenho que continuar. O cansaço agora me sufoca, e perdida pela falta de ar eu resolvo o meu passado abandonar. Na mochila preta eu carrego as pessoas que passaram, as que se sentem escondidas, as que me fizeram felizes, as que me magoaram. As que sorriam, as que debochavam. Eu te deixo aqui, passado, pra que o tempo passe e te leve. Mais pessoas correndo. Volto a ver a luz, e agora consigo correr mais rápido, já posso sentir o ar voltando nos pulmões. Já consigo ver outras cores senão as que pairavam em mim, e o futuro e o presente me esperam logo ali, dobrando a esquina. Cheguei. Parei. Lembrei que é um sonho. Acordei. É, era mesmo um sonho. Mesmo que tenha deixado o passado pra trás, o vento sopra de dentro do corredor, e me trás o cheiro das coisas que passaram. Olho pros meus pés. O tempo devolve a mochila. E eu a ponho nas costas. Pra começar tudo de novo.

Escrito por :::::: Cris :::::: às 12h27
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24/05/2005


O precipício

Pedras, pedrinhas, pedregulhos.

Vento.

Saudade.

Ilusão.

Despreparo.

Um estalo.

Ela viu.

Ele não.

Correram.

Sangue nas pedras.

Você viu.

Eu não vi.

Ninguém viu então.

Questionamentos.

Um jovem.

Tão bonito.

Tão inteligente.

Um caixão.

Despedidas.

Eles voltam lá.

Repensam.

Avaliam.

A altura.

Dor em vão.

Eles viram.

Ela viu, ele também.

Vamos ver então.

Mais sangue nas pedras.

Mais dor.

Mais ilusão.

Alguém sentiu?

Eu não.

Um estalo.

Vento.

Pedras fora do chão.

Alguém viu?

Não.

Escrito por :::::: Cris :::::: às 19h50
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Todos acham que eu escrevo sobre coisas darkmess. Escrevo sim. Mas também sei sorrir. Sei mesmo.

Escrito por :::::: Cris :::::: às 16h09
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23/05/2005


O buquê de rosas vermelhas

Vestida de Branco. Mil convidados naquela Igreja. Um buquê nas mãos. E um vazio imensurável dentro de si. O noivo a esperava, a fitava de longe, como que a admirando mais do que nunca sua beleza. O buquê de 24 rosas vermelhas, apertadas umas contra as outras, a cara doce da daminha de honra que aguardava solene pelo momento de trazer as alianças. Respirou fundo e entrou. A mãe notou que o buquê parecia maior, mas deixou passar despercebido esse mero detalhe. Aos poucos, com passos lentos, como os de um condenado a morte, ela entrou na Igreja. Olhava para todos e via sorrisos de satisfação. Uns porque torciam pela sua felicidade, uns porque estavam com fome e queriam um pedaço do bolo encomendado, sete andares de bolo de chocolate. Mais alguns passos. Hesitou. Não tinha certeza da rota da Igreja, mas lá estava o noivo que ela esperou a vida inteira. Um homem culto, inteligente, uma pessoa de bem. Trabalhador, atraente, sexualmente e psicologicamente, formado, educado, respeitado. A mãe não se continha no orgulho, e parada no altar esperava entregar a filha para o genro perfeito. Que vazio era aquele afinal? Caminhou mais um pouco e chegou no altar. O noivo lhe beijou a mão, e ao seu lado, esperava pelo padre e suas palavras insossas. Enquanto ele falava, ela foi lembrando de sua vida, de seus amores da adolescência. De como experimentou o primeiro beijo, o sexo, o cheiro do outro. De como viu o amor crescer em seu peito, na mesma proporção da dor quando enterrou o namorado, depois de um acidente de trânsito no qual ela estava ao volante. De como se fechou pro amor depois disso, e de como os pais insistiam para que ela se divertisse, mesmo com a depressão instalada. Ela saiu, e saiu, até conhecer o homem agora ao seu lado. Se aquele sinal não tivesse fechado, se ela não tivesse bebido, se o namorado tivesse dirigido, tudo aquilo seria o presente, e ela não estaria se casando com um estranho. Pessoas felizes. E o padre pergunta:

-         Luis, aceitas Maria Eduarda como tua legítima esposa?

-         Aceito. – Diz ele, com ares de satisfação.

-         Maria Eduarda, aceitas Luis como teu legítimo esposo, até que a morte os separe?

-         Aceito.

Afinal, a morte era próxima, batia em sua porta e seu peito, quando ela tirou o revólver do buquê e deu um tiro na boca. O buquê vermelho. O vestido também. As lágrimas também. Enfim sós. Até que a morte os separe. Fim.

Escrito por :::::: Cris :::::: às 20h47
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