Kate´s Life


12/05/2005


Ana.

Ana. Esse era o nome dela. Ana Lia, mas todos a chamavam apenas de Ana. Um dia, ela achou uma carta no chão. Que coisa cafona, ela pensou. Hoje em dia ninguém escreve uma carta à mão, todos mandam e mails. Pegou o pedaço de papel e o levou pra escola. Ana era um menina rica, estudava na melhor Universidade da cidade. Tinha muitos amigos, era popular. A aula acabou e Ana foi pra casa, nem lembrou da carta. Estava muito ocupada com seus afazeres, estava prestes a se formar em psicologia. Ganhou vários prêmios, com artigos científicos, era considerada prodígio para sua idade. Mas, ao entardecer,ela lembrou da carta. Revirou os cadernos, e lá estava ela. Meio suja por causa da poeira da rua, mas legível. Sentou-se na varanda e começou a ler:

“Marcos,

Infelizmente eu não sei como te dizer isso. Sabes como te amo, mas eu não sei o quanto. Depois de anos ao teu lado, eu percebi que não era bem isso que eu queria. Casei-me contigo, mas queria ter te conhecido mais. Tive filhos contigo, mas não os percebo de verdade como meus. Me formei na faculdade, mas preferia ter ido viajar. Viajei, sim, mas não como pretendia. Consegui o carro tão sonhado, mas não sei por quais vias dirigi-lo. Comprei as roupas que quis, montei meu closet, mas não reconheço a alma que me veste. Li demasiados livros, mas nunca me compreendi, nem parei pra ler a minha vida. E por fim, te amei mas nunca consegui me amar de verdade. Essa carta é a despedida, morri pra nascer de novo, espero me lembrar de tudo que fiz nessa vida pra ver se não cometo os mesmos erros.

Amor, Paula”

Fechou a carta. Jogou a mesma no lixo. Depois dela, Ana largou a faculdade. Achou que tinha estudado o bastante para tornar a carta um de seus pacientes, mas viu que não estava preparada. Ana decidiu viajar. Nem que fosse para fazer o que Paula não fez.

Escrito por :::::: Cris :::::: às 17h04
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11/05/2005


O fato de eu amar essa música me dá a obrigação de publicá-la. Por ser redondinha, por ser perfeita.

Coldplay - The Scientist

Come up to meet to, tell you I'm sorry
You don't know how lovely you are
I had to find you, tell you I need to
And tell you I set you apart
Tell me your secrets, and ask me your questions
Oh lets go back to the start
Running in circles, coming in tails
Heads on a science apart 
Nobody said it was easy
It's such a shame for us to part
Nobody said it was easy
No one ever said it would be this hard
Oh take me back to the start
I was just guessing at numbers and figures
Pulling the puzzles apart
Questions of science, science and progress
Do not speak as loud as my heart
And tell me you love me, come back and haunt me
Oh and I rush to the start
Running in circles, chasing tails
Coming back as we are

Nobody said it was easy
Oh it's such a shame for us to part
Nobody said it was easy
No one ever said it would be so hard
I'm going back to the start

Escrito por :::::: Cris :::::: às 11h52
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10/05/2005


A Sra. Hannauer

Essa é a vida dela. Desde muito pequena, ela é um personagem vivo em minha vida. A Sra. Hannauer é uma dessas pessoas totalmente insanas, uma dessas que caminham vagarosamente pelas ruas, mas com expressão de muita pressa. Por muitas vezes, eu a vi no ponto de ônibus, esperando por qualquer um deles. Sem saber se ao menos ela tinha conhecimento do que lia nas placas. E por quase 23 anos é assim. Eu a vejo com seus cabelos brancos, em busca de informações sobre ônibus que já passaram, sobre ônibus que vão passar. Mas para onde a Sra. Hannauer vai? Um dia, pouco tempo atrás, ela sentou ao meu lado. Eu, distraída por meus fones de ouvido, mal a vi e a notei definitivamente quando ela mexeu os lábios. Quão insana era ela, eu mais ainda se não parasse para escutá-la, mesmo se ela não dissesse nada. Ouvindo suas declamações, eu parava pra pensar em como muitas coisas são ditas, e não assimiladas. Como se fossemos duas insanas ali, quietas, uma falando, a outra ouvindo o nada. Após ouvir tudo o que ela dizia, vi que ela entrou em um coletivo. Onde será que a Sra. Hannauer iria descer? Será que ela sabia onde poderia descer de seu destino? Por um momento, e por muitos depois, eu senti uma ponta de inveja dela. Afinal, ela não sabia por onde iria, não tinha horários, não precisaria estar em algum lugar para ser notada. No canto do ônibus, e de lá, ela ia tocando a sua vida, quietinha, viajando, conhecendo cada lugar por muitas vezes, em diferentes tempos, com diferentes cores. E não tinha a obrigação de ser ou ter. Ela apenas era dona de seu próprio destino. E mesmo que não pudesse guiar o ônibus, ela tinha várias opções de escolha. Talvez ela seja muito pobre, talvez passe fome. Mas talvez ela tenha a felicidade que muitos de nós não temos. A felicidade de ser livre.

Escrito por :::::: Cris :::::: às 18h52
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