Kate´s Life


30/09/2004


É de rir. É de chorar. É de chorar de rir.

Ainda tenho paciência para ver o que muitas pessoas (99,9%) não suportam: O horário político. Alto lá. Não estou falando da televisão (e o show dos horrores no intervalo) e da rádio (ninguém merece dirigir digerindo aquilo !). Estou falando do horário político em tempo real. O teatro nosso de cada dia. Os showmícios, comícios, indícios. É engraçado, é triste. Pare nas ruas. Se precisar de papel, bastam duas sinaleiras. Dá pra fazer um bloquinho de rascunhos, dá pra usar como papel higiênico. Até com um display em tamanho natural me deparei hoje. Aquele sorriso maroto e cínico na cara dos políticos, candidatos à prefeitura, à câmera de vereadores, é patético. Uns querendo os rins dos outros. A maior prova do cinismo de um destas criaturas é um vizinho que eu tenho. Atual vereador, o cara quer ser de novo um magnata montado no dinheiro fácil. Então, vamos a linha do tempo: Dois meses antes da eleição, ele vira o “vizinho-prestativo-quer-uma-xícara-de-açúcar?”. Um doce de pessoa. Simpático, carismático, cheio de amor pra dar. No dia da eleição, ele é o “vizinho-prestativo-quer-uma-xícara-de-açúcar-quer-um-bolinho-também?”. Passada a eleição, ele vira o “vizinho-que-finge-que-te-conhece-e-mal-te-cumprimenta”. E por aí, três anos de petulância, até o processo começar de novo. E de novo. E de novo. Prometo aquilo, prometo isso, prometo mais. Prometo postos de saúde 24 horas, prometo remédios de graça, prometo um hospital decente. Prometo mais segurança, prometo policiais bem remunerados, prometo paz. Prometo vida social, prometo mais praças, prometo diversão. Promessas. Tudo prometido, nada cumprido. Afinal, há quantas eleições ouvimos as mesmas promessas, há quantos anos esperamos que elas sejam cumpridas? Admira-me os políticos dando a mãos aos eleitores, promovendo churrascos, ficando de plantão como paparazzi para fotografar o oponente, para cassar candidaturas. As carreatas, as bandeiras nas esquinas, o povo que se presta a agitar bandeiras por 10,00 por dia. Pra comprar uma ficha na fila dos postos de saúde, nos mesmos postos que nunca serão 24 horas, que nunca atenderão bem. Os carros que participam de carreatas, colando adesivos na carroceria, pagos pra gritar o nome de um porco que nem os reconhecerá depois.  A necessidade de um povo pobre, que aceita o ridículo por um dinheiro a mais pra sobreviver. A situação é triste. Pra não dizer caótica. E depois desse show que antecede as eleições, das carinhas bonitas no outdoor (onde aliás o photoshop corre solto!), tudo voltará ao normal. Seremos os mesmos, dependentes de um sistema de saúde falho, da insegurança que mata tanto quanto ataques cardíacos, do trabalho mal remunerado. Continuaremos contando moedinhas no supermercado, continuaremos pagando prestações de imóveis em 20 anos. E o conto de fadas “ELEIÇÃO” terá chegado ao fim. Com o mesmo final infeliz. Pode até chorar no final do livro, mas.... guarde seu desespero para daqui a 4 anos. Seremos obrigados a ver a mesma história. Com os mesmos personagens. Inclusive o povo, sempre no mesmo papel: O de palhaço.

Escrito por Kitty às 18h36
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