Kate´s Life


08/09/2004


Cor de rosa

Rosa é a cor oficial dos cenários infantis. Rosa é a cor do vestido da Barbie mais cara. Mais formosa. Mais linda. Rosa é a cor de tudo que é belo e meigo. De tudo que é cor de rosa. Rosa é a cor daqueles que acreditam em fábulas. E quando você acha que a vida não lhe surpreende em mais nada, a cor que lhe vem a frente é o rosa. Rosa choque. Um choque na intelectualidade que resta em míseros seres humanos. Na burrice daqueles que de tão inteligentes ainda pagam faculdade para entrar no mercado. R$ 60.000,00. R$ 60.000,00 é o que se gasta em média em um curso universitário. E esse preço não é nada cor de rosa. E nos deixa, estudantes, com a cara colorida. As cores de um palhaço.

 

Cor de Rosa (Canal 5, SBT, 15:00) é um programa elaborado pela alta cúpula e assinado embaixo pelo experiente empresário-entrevistador-barato Silvio Santos. Proprietário de uma emissora que está quase falindo, o SBT. E entre todas as revoltas que já colocamos em pauta, contra o retardado João Kleber, contra a modelo frustrada (e ridícula) Luisa Mell e a sem cérebro Luciana Gimenez, acredito que é preciso olhar cinco vezes para o televisor antes de poder ao menos escrever sobre o famoso QI (Quem Indica). E acreditem, a Luisa Mell não é a pior coisa da televisão brasileira. A primogênita de Silvio Santos resolveu bater o pé, e depois de muita manha e choro, ganhou a casa da Barbie do papai, diariamente, e de quebra o KEN (depois de um acidente de carro), Décio Pitinini. Uma legítima casa de Barbie. Cor de Rosa. Em todos os tons existentes em cartelas de pantone. Como um bom pai pode presentear uma filha. Em seu mundo particular, Silvia Abravanel acha que é boa apresentadora. Não sei se a tecnologia do tele prompter já chegou à rede de televisão de Silvio, mas Silvia prefere analisar suas fichinhas, lendo com categoria(?) as notícias sobre o mundo das celebridades, que perdem em qualidade para a prova de fidelidade do João Kleber. Nível 0. E ontem, um feriado de 7 de setembro, onde a TV aberta fracassou mais uma vez, o programa foi ao ar e eu parei, com o coração na mão, para ouvir Silvia em sua casinha de bonecas. Mas como o coração humano suporta determinado limite, tive que apelar a remédios fortíssimos para o coração, ao ouvir a jornalista(ai,ai) Silvia falar que Britney Spears não tem cérebro e quer parecer inteligente, e que a tietagem se deve ao fato de Britney ser uma ídala. Sim, ídala.

 

E cada vez mais, a revolta que antes se limitava ao silicone, agora atravessa as fronteiras do inadmissível e passa pela nossa perplexidade, impotentes diante de uma rede de comunicação cada vez mais falha, e que de colorida não tem mais nada. A única cor que nos rodeia é o preto. A situação está negra. Salvo a nossa conta bancária, no vermelho, por conta dos pagamentos dos boletos da nossa faculdade. E da nossa intelectualidade.

 

Um protesto pela volta dos profissionais na comunicação.

Profissionais de respeito.

Profissionais de gabarito.

Escrito por Kitty às 17h58
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Orkut´s Revolution

Muito bem, muito bem. Muito já foi falado sobre uma febre mundial que superou expectativas e onde milhões de pessoas se comunicam, trocam mensagens, comunidades, idades, maldades e todos as outras coisas possíveis em rede. O Orkut (nome de batismo do criador genial (?)) entra para a história como a maior rede comunicacional de todos os tempos, e bate o Google (do mesmo Bobe pai, Orkut) em acessos. A febre alcança qualquer usuário, qualquer distância, qualquer limite. Quanto mais amigos, mais popular. Quanto mais scraps, mais querido. Quanto mais fãs, mais adorado. Se for famoso então... Mil, dois mil amigos. Amigos. Aí está. A M I G O. Pessoas próximas, queridas, amáveis. Quantos amigos você tem? Não estou falando do Orkut, dos fãs, dos scraps. Falo de amigos. Dos que você pode contar nos dedos. Dos que passaram na sua vida, dos que te convidaram para um sorvete na esquina, mas você não teve tempo. Estava escrevendo um testimonial para o amigo do amigo da sua amiga, que parece agradável na foto, ele é bonito, pode acrescentar. Mas será que ele existe? Quem sabe. Um nick name na tela, e personalidade desconhecida. Mas ora essa, o que importa? Você já tem noventa e nove amigos, só falta mais um. Vai lá. Acrescenta ele. Que tipo de pessoas nos tornamos? Pessoas que buscam o irreal na tela de um micro. Para que sair as ruas, se podemos ter mil amigos na Internet? Não, é muito cansativo. É cansativo dar uma caminhada na rua, ver pessoas de verdade, rostos de verdade, palavras de verdade... É melhor ficar sentada, esperando o scrap book daquele cara que te chamou a atenção. Orkut. Símbolo do início dos novos tempos, com pessoas cada vez mais isoladas do mundo exterior. Acessos diários. O mesmo Orkut bloqueado em várias empresas (a começar pela minha). Sobrecarregando o servidor, a Internet lenta... Protestos já se iniciaram. Como viveremos sem o Orkut? Messager? Mirc? MSN? Como? Como? Como falaremos com nossos amigos, como postaremos coisas nas nossas comunidades? Como continuaremos nos isolando do mundo, e tendo o mundo em nossas mãos? Não, é cruel demais. Foi isso que nos tornamos. Robôs cibernéticos engatados no computador, digitando pensamentos, digitando testimonials. Acrescentando amigos. Amigos. Quantos amigos você tem? Estou falando dos amigos que talvez você não tenha mais. Calma. Não se desespere. Restam os do Orkut.

Escrito por Kitty às 15h56
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