A Freeway ia a linha reta em uma tarde de chuva, onde o carro andava em alta velocidade em direção ao litoral. Ela virava o rosto de vez em quando, pra observar a expressão dele. Uma expressão fechada, olhos fixos no painel do carro, a chuva contra o mesmo painel, a imagem turva na frente dela. Com a chuva, as cores das ruas iam se tornando manchas coloridas, formando imagens complexas em seus olhos. Ela nem fazia idéia do caminho que tomava, e a sensação de não estar guiando o carro era estranha, porque aquele motorista parecia ter o controle do volante. Ela tentou puxar conversa com ele, mas nada. Nenhuma palavra ou suspiro que o indicasse vivo, apenas as mãos fixas no volante, fixas no painel. Das muitas perguntas que ela fez, nenhuma era respondida. Motorista mal educado. Além de mal educado, tinha o poder de controlar o caminho que ela tomava. Ela até tentou dar as coordenadas algumas vezes, dizendo para ele tomar a pista esquerda, virar a direita. Ele nem deu atenção. Deixou claro com o silêncio que ele decidia tudo, que ela não poderia interferir. A chuva parou em um trecho da estrada. Feixes de luz se instalaram dentro do carro, mas antes mesmo que ela comemorasse veio uma frente fria que lhe congelou os pés. Mal educado ao cubo. Nem sequer se preocupou em fechar o carro, ligar o ar, deixá-la confortável. Parecia ter prazer em espezinhá-la. Depois de muita insistência, ele a olhou com uma calma serena, alheio ao escândalo que ela fazia no carro.
- Posso saber pelo menos o seu nome.
- Porque?
- Porque você é um grosso, parece não me escutar e me ignora.
- Precisa mesmo saber meu nome.
- Sim.
- Prazer, Destino.


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