Às vezes é extremamente complicado definir o outro. O que ele sente, interpretar gestos e manias. Mas até que ponto você conhece a si mesmo? Nem sempre conhecemos o que sentimos, do que gostamos, de quem gostamos. É como se um furacão de sentimentos passasse de vez em quando. Algumas vezes você consegue abrigo. Outras, o telhado vai embora e você fica ali, quietinho, na sua, tentando se proteger de algo que está dentro de você. O que exatamente é você não sabe. Como um vírus, desses que a ciência não sabe o antídoto. Como um sintoma de uma doença só sua. Será que temos remédio pra certas coisas? Será que queremos esse remédio. Nunca podemos prever o que vai acontecer. Corremos riscos, perdemos chances, ganhamos outras. Como em um ciclo linear, temos que seguir o caminho, a fila andando devagar e rápido demais. E enquanto a vida passa, estamos aí, pensando. Em várias coisas, no dia de sol ou de chuva, na roupa do vizinho, nos nossos amores e dissabores. Tantos eles que vão e vem, passam por nós nas ruas e vielas, nunca percebemos o seu olhar. Desejo maior de estar junto, sentimento como um átomo cheio de nêutrons ao redor. Pequeno sentimento, menor, mas não menos importante. Que se torna grande, às vezes. Que morre em seguida. Ou que fica. Quem sabe? Estranho sim como os nossos sentimentos, como o amor, puro e singelo sentimento. Acho melhor me proteger do furacão. Vai ser forte desta vez.


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