Kate´s Life


02/07/2004


Velocivida

Ela acelerou o quanto pode. Seus pés pressionavam o acelerador de tal maneira que o vidro aberto ia projetando parte do seu cabelo para fora do carro, a mais de 150 km/h. Não era só uma maneira de ela testar a velocidade e o motor do carro zero ganho pelo pai em sua festa de dezoito anos. Festa esta que ainda rolava, com muito glamour, muito requinte, no salão de festas mais badalado da cidade. O carro ainda ostentava um laço gigante, na cor favorita dela, roxo. Era uma surpresa, mas que mal haveria em ela passear com o carro antes de ganhá-lo oficialmente? Na lataria, nem um só arranhão. Ainda brilhando, com aquele cheiro de novo. Já estava entrando na federal agora. Passava da meia noite. O laço ainda lá, repudiado pelo vento. 170 km/h. Os pneus já arranhavam em sua aderência. Quando ela se deu por conta, estava sozinha na estrada. Então cometeu uma loucura. Fechou os olhos e acelerou mais ainda. Agora já estava a 180 km/h. Só ouvia o ruído do motor. Intermitente, poluído, os olhos grudavam no rímel borrado pelo choro de uma menina assustada com a vida. Com a maturidade. Abriu os olhos de repente. Viu uma luz forte. O freio acionado e a capotagem. O laço no carro. O laço na coroa de flores. Lembrança de seus familiares. A mesma família que nunca a enxergou de verdade.

Escrito por Kitty às 19h43
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Dietas Já !

Alô? É do consultório do Dr. Rancho Crutz?

 

Estou escrevendo esse texto na esteira. A amiga da amiga da prima da minha irmã disse que escrever enquanto se exercita fortalece os glúteos e enrijece as coxas. Enquanto escrevo também reparo no pudim de chocolate sobre a mesa, o qual está me dando umas piscadelas há tempo. E enquanto digito e corro (já são 12 km), me pergunto: Alguém aí tem noção de onde esse mundo diet light menos saturado vai parar? É claro que uma vida saudável é importante, mas paranóia já é um pouco demais. O maldito padrão, que enche as capas das revistas intituladas de formas variadas (sempre com a palavra corpo no meio), consome as gôndolas (ou melhor, seções) do supermercado, sinto muito lhes dizer, está batido. Digo isso porque a maioria das mulheres está sempre culpada e arrasada, insistindo em sintonizar os canais a cabo que transmitem os eventos de moda no país. Lá, os cabides esquálidos (regime: uma maçã por dia) passeiam seus ossos de um lado para o outro da passarela. E provocam inveja (?), por seus corpos esculturais. Esculpidos no cemitério. Não estou gritando agora “Sejam gordas e portadores de colesterol !!!”. Mas concorde, a maioria de nós sabe quantas calorias tem um pãozinho Seven boys. Teoria confirmada: A preocupação com calorias em excesso atrasa a digestão e provoca acúmulo de gordura. Viu só? Isso não significa que você vai devorar um Mac Donald’s a cada vinte minutos, mas pare pra ver essa sua paranóia e complexo de Gisele Bundchen. É claro que eu gostaria de ter o corpo da Daniela Cicarelli (e a conta bancária), mas por favor, isso não vai me fazer correr como triatleta de um dia para outro. Regimes macabros de até mil calorias enfraquecem seu corpo e sua mente. E porque não, afinal, ser original? Que graça teria se 100.000 Danielas Cicarellis andassem pelas ruas? É claro que os homens gostariam, mas enjoariam logo, logo. Existem muitas belezas escondidas e escancaradas por aí. Olhe-se no espelho. Se seu cabelo não é loiro, chapado, se sua bolsa não é Loius Vuitton, se sua pele não brilha como pérola, ora essa, o que importa? Porque não usar o cabelo desgrenhado, as coxas mais grossas em uma calça strech, curvas sinuosas contrastando com a linha reta das modelos internacionais. Se você não é um padrão, que bom. Assim você não é considerada mais uma. Mais uma maluca na academia, correndo 40 km na esteira, tomando litros de chás emagrecedores e monitorando a bala de caramelo    (14 calorias) que acaba de descer pela sua garganta, pesando menos de 1 grama mas com um peso enorme na sua consciência. Alimente-se sim, com saúde, sem uma tabela periódica de valor calórico na sua mente e em versão mini na bolsa ! Aprender a se gostar é difícil, mas ora essa, você espera um milagre dos céus para que durma uma bruaca e acorde uma beldade?? Leve em conta ainda o preço do silicone, pode chegar a ter o valor de um carro zero !! Ah, mas o que é um carro perto de entrar no ônibus e ser chamada de gostosa pelo cobrador e tendo que devolver as córneas do motorista que caíram no seu decote... Bom senso nunca é demais. Ser diferente é normal. E aceitar-se diferente é perfeitamente cabível. Beleza conta sim, mas beleza original tem muito mais valor. Valor? Opa. Está na hora de correr mais um pouquinho. Será que beleza engorda????

Escrito por Kitty às 18h18
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29/06/2004


Essa sou eu, pegando um ônibus qualquer, para qualquer lugar

Essa sou eu, sem roupas da moda, mas à moda da casa

Essa sou eu, curtindo a vida, fechando feridas, abrindo o coração

Porque em coração fechado não entram raios...

E por mais que se tenha medo, é preciso seguir a linha do trem

E o que importa se não conseguirmos? Agora talvez não,

Outro dia qualquer, tentaremos de novo, e de novo, e de novo...

Uma hora chegaremos lá.... Uma hora teremos a certeza

Que não importa o tempo, as dores, a tristeza..

Todos têm um lugar ao sol.

Acabei de lembrar. Chegou o meu ponto.

Motorista, por favor, abra a porta,

Eu tenho que seguir o resto à pé.

 

Escrito por Kitty às 17h47
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