Kate´s Life


25/06/2004


Pessoas...

Sorrisos sinceros, falsidade estampada

Cor, raça, nacionalidade, vulgaridade

Amigas inseparáveis, inimigos mortais

Amáveis e delicadas

Irritantes e complicadas

Desejadas e agouradas...

Pessoas....

Deprimidas e felizes

Batalhadoras e sensíveis

Jogadoras de futebol, de golfe, de baralho

Libertadoras e conservadoras

Idealistas e materialistas

Impulsivas e cautelosas

Discretas e escandalosas

Tímidas , escancaradas

Religiosas, desencanadas

Vividas e imaturas

Jovens e maduras

Pessoas...

Pobres, ricas

Simpáticas, escrachadas...

Ah... as Pessoas...

Bendita variedade

Santa dificuldade !!!!!

 

Escrito por Kitty às 19h50
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23/06/2004


Interilusão

Eles se encontraram meio que por acaso, em uma conexão de Internet. Do outro lado do mundo, ele ligava seu computador enquanto a água para o café fervia. Aqui, o micro já estava ligado, e ela brincava com ferramentas de pintar. Pensou em conectar a Internet, uma fração de segundo antes que ele. Aqui chovia forte, 10°C, vento oscilante. Lá, um calor de acabar com estoques de água. Sentado na frente do micro, o café fervendo, ele colocou o seu nick name: Australiano. Ela, por amor a pátria (ou porque não pensou em um nome melhor), optou por brasileira. Duas nacionalidades, embora ele soubesse o português. Brasileira entra na sala. Australiano entra na sala. Partiu dele o primeiro contato:

  • OI, quer teclar?
  • Sim, de onde tecla?
  • Austrália e você?
  • Brasil. Quantos anos?
  • 26 e você?
  • 25. Faz o que da vida?
  • Estudo antropologia periódica e trabalho em um consultório especializado em ácido desoxirribonucléico. Em outras palavras, DNA.
  • Interessantíssimo. Eu estudo publicidade e trabalho em uma agência de propaganda.
  • Interessantíssimo. Como você é?
  • Loira, alta, olhos azuis, pele branca. E você?
  • Moreno, forte, musculoso e olhos verdes.
  • Você parece ser bonito e inteligente.
  • E você parece ser uma linda brasileira. Podemos nos encontrar algum dia?
  • Claro, quer que eu vá para a Austrália ou você vem para o Brasil?
  • Posso ir aí se você quiser.
  • Com certeza, podemos nos encontrar no Chat amanhã?
  • Claro. A que horas?
  • 10:00 está bem para você?
  • Perfeito. Combinado. Até lá.Ela levantou da mesa do cursinho de informática. Um pouco gorda e cansada, olhos castanhos perdidos, cabelo desgrenhado. A bolsa de estudos caiu como uma luva, nos brindes da quermesse da favela. Recolheu sua sacola de retalhos e se foi.Do outro lado do morro, ele, franzino, saía da demonstração de um provedor de Internet. Ele gostou de aprender a mexer em computadores. Voltou para  a oficina de carros.

Conexão encerrada.

Escrito por Kitty às 17h34
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22/06/2004


Nem o tempo pode apagar

 

Lembrança. Maldita palavra que nos apega. Maldito passado que não nos abandona. Nosso caminho, nossa jornada, nossa infância. Tudo está lá, nos arquivos da nossa lembrança. A nossa juventude, transfigurada à nossa velhice. Mesmo jovens, mas tão velhos e responsáveis. Nossos livros de alfabetização, onde aprendemos a dizer tudo bem. Ou te odeio. Te amo. Nossos cadernos de recordações, cheios de poemas, dedicatórias. E as piores lembranças: as fotos. Momentos de nossa vida eternizados em formato 10x15. Uma única fração de segundo suficiente para marcar com cores um momento do nosso passado. Seja com a família que se perdeu. Seja com o cachorro que morreu. Com a (o) namorada (o) que se foi para sempre. Lá está uma imagem a qual você olha diversas vezes e não cansa. Que arranca sorrisos ou lágrimas. Foto a qual você queimou com cartas antigas. Amareladas pelo tempo. Ou saindo fresquinhas de um envelope na loja de revelações. Fotos que você guarda debaixo da cama, ou emolduradas na parede do seu quarto. Todos tipos de lembranças, vindo à tona. Nos seus sonhos ou durante o seu corrido dia. Elas aparecem do nada, enquanto você caminha, enquanto fala ao celular. Mas porque o ser humano é tão irracional? Sabendo que o tempo não volta, porque insistimos em lembrá-lo, empacando a nossa vida, trancando a nossa evolução? O nosso passado é importante sim. Mas é totalmente desnecessário. Se a nossa vida segue um único fluxo e ritmo, porque afinal temos a necessidade de lembrar? Quem explica... Só se sabe que o tempo é chave de portas que não se abrem mais. Responsável pelas fitas de vídeo que assistimos por mais de quarenta vezes. Mesmo que saibamos o roteiro de cor. Não importa. Tempo distorcido em nossa mente, que fecha oportunidades em virtude de nossos bloqueios. Imagine quantas vezes você disse “Parece que foi ontem”. “Eu nem vi o tempo passar”. Realmente não viu. O tempo não espera que você lembre de nada. Enquanto você perdia a sua vida lembrando de coisas que já se foram, o relógio da vida ia correndo. Enquanto você manipulava o álbum de fotos, o sol ia nascendo e morrendo. E com ele, a sua pele livre de rugas, agora cheia de sinais do tempo. Vincos que antes marcavam o seu sorriso agora são disfarçados por botox, maquiagem, cirurgia, recauchutagem. Os seus cabelos com fios brancos, dignos de experiência, agora encharcados por tinturas fabulosas, milagrosas. Onde está o seu vigor? Será que ele está apenas no seu passado?  Ou será que você ainda canoniza os cirurgiões plásticos, meticulosos em salvar o corpo e deixar a maturidade? Se esse é o caminho, não sei. Mas de certo, só a idéia que estamos envelhecendo sim. Agora fugindo do termo tempo. Envelhecendo quando reclamamos da chuva ou do sol que está muito forte. Envelhecendo quando passamos o dia pensando no extrato bancário, em quantos zeros ele possui (ou seria só o número zero??). Jovialidade tem ligação com humor. Com encarar a vida com outros olhos. Aceitando o fluxo, os minutos, as datas de aniversário, e a idade que você faz questão de esquecer. Aceitando as rugas, os fios brancos no seu cabelo. Aceitando que tudo isso vai culminar um dia. Esteja você idoso, ou de cara limpa. Não importa. Seguir o fluxo quer dizer que o tempo não apaga nosso passado. Mas que tal guardá-lo para sempre? Retire o que ficou de bom, de aprendizado. O resto é lixo. Faça uma lipo na sua mente. Afinal, o bom senso adverte: Gordura de problemas em excesso é prejudicial à saúde...

Escrito por Kitty às 20h29
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21/06/2004


I wish I knew how it would feel to be free
I wish I could break all the chains holding me
I wish I could say all the things that I should say
Say ´em loud say ´em clear
For the whole wide world to hear

I wish I could share
All the love that´s in my heart
Remove all the bars that keep us apart
And I wish you could know how it is to be me
Then you´d see and agree that every man should be free

I wish I could be like a bird in the sky
How sweet it would be if I found I could fly
Well I´d soar to the sun and look down at the sea
And I´d sing cos I know how it feels to be free

I wish I knew how it would feel to be free
I wish I could break all the chains holding me
And I wish I could say all the things that I wanna say
Say ´em loud say ´em clear
For the whole wide world to hear
Say ´em loud say ´em clear
For the whole wide world to hear
Say ´em loud say ´em clear
For the whole wide world to hear

One love one blood
One life you´ve got to do what you should
One life with each other
Sisters, brothers

One love but we´re not the same
We got to carry each other Carry each other
One One One One One...

I knew how it would feel to be free
I knew how it would feel to be free

Escrito por Kitty às 19h34
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