No outro dia, ela acordou com o sol em seus olhos. Por um segundo pode sentir o calor da luz entre as frestas da janela, mas logo depois um frio súbito lhe atingiu. Olhou ao redor, não viu ninguém Apenas a foto dele, no porta-retrato de madeira. Quando ela se aproximou da foto, viu toda a sua vida naquela moldura. Sentada na beira da cama, um frio lhe atingiu a espinha. Ela começou a olhar pelo quarto, ele parecia mais claro. Porém, não teve coragem de olhar para trás. Nunca sentiu tanto medo, mas confiou no que sentia. O perfume dele já havia impregnado o ambiente. Podia sentir a voz dele em timbres fracos, mas penetrantes em sua mente. Foi quando ela sentiu um peso no ombro. O toque o lembrava. Ela olhou para o lado. A imagem que viu confundia seus olhos. Uma aura, uma imagem turva. Brilhantes só os olhos dele, olhando fixo para ela.
- Desculpe. Não tive coragem de dizer que você iria morrer.
- Vim te buscar.
- Vai me levar para onde?
- Para um lugar além da sua imaginação. Onde sua mente não alcança.
- É algo inatingível?
- Talvez.
- Então esse lugar é a felicidade.
- Não.
- Que lugar é esse então?
- Você confia em mim?
- Sim.
- Então me dá a tua mão.
Ela estendeu os dedos, mas não podia tocá-lo. Era amor que os ligava, o amor sempre retorna ao seu devido destino e lugar. Ele desceu as escadas dos 20 andares correndo. Ela, pela janela. Era o começo do amor que nunca morreu. Que superou a vida. E a morte.



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