Kate´s Life


18/06/2004


Despedida - Parte II

No outro dia, ela acordou com o sol em seus olhos. Por um segundo pode sentir o calor da luz entre as frestas da janela, mas logo depois um frio súbito lhe atingiu. Olhou ao redor, não viu ninguém Apenas a foto dele, no porta-retrato de madeira. Quando ela se aproximou da foto, viu toda a sua vida naquela moldura. Sentada na beira da cama, um frio lhe atingiu a espinha. Ela começou a olhar pelo quarto, ele parecia mais claro. Porém, não teve coragem de olhar para trás. Nunca sentiu tanto medo, mas confiou no que sentia. O perfume dele já havia impregnado o ambiente. Podia sentir a voz dele em timbres fracos, mas penetrantes em sua mente. Foi quando ela sentiu um peso no ombro. O toque o lembrava. Ela olhou para o lado. A imagem que viu confundia seus olhos. Uma aura, uma imagem turva. Brilhantes só os olhos dele, olhando fixo para ela.

-         Desculpe. Não tive coragem de dizer que você iria morrer.

-         Vim te buscar.

-         Vai me levar para onde?

-         Para um lugar além da sua imaginação. Onde sua mente não alcança.

-         É algo inatingível?

-         Talvez.

-         Então esse lugar é a felicidade.

-         Não.

-         Que lugar é esse então?

-         Você confia em mim?

-         Sim.

-         Então me dá a tua mão.

Ela estendeu os dedos, mas não podia tocá-lo. Era amor que os ligava, o amor sempre retorna ao seu devido destino e lugar. Ele desceu as escadas dos 20 andares correndo. Ela, pela janela. Era o começo do amor que nunca morreu. Que superou a vida. E a morte.

Escrito por Kitty às 19h54
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17/06/2004


Despedida

Parada na porta do quarto, ela olhou pra ele com os olhos inchados. Suas mãos suavam frias, a alma e o pensamento estavam longe, nas lembranças de todos os anos que passaram e acabavam ali. No coração dela, um rombo enorme, uma dor insuportável. Nas mãos dele, algumas peças de roupa esquecidas com o tempo no armário dela. Com o olhar distante, ele juntava as últimas lembranças, os últimos vestígios do que um dia já fora o valor da sua felicidade. Perto do fim, sua única atitude foi olhar pra ela com olhar de pena. Foi quando ela resolveu falar.

-         Ela: Eu te amo. Ele: -   Marina, já te disse que não tem nada a ver com você.

-         Ela: Te amo.    Ele: -   Preste atenção: Você é uma mulher adulta, inteligente, linda. Conheço muitos homens que dariam o braço direito pra te ter ao lado deles. Você tem condições de ir muito além do que imagina. Tem talento, perspectivas, alentos. Tem amigos, virtudes, vaidades. Nunca conheci alguma mulher mais completa. Você sabe porque estou indo embora...

-         Ela:  Te amo.    Ele: - Marina, pare com isso ! Já te expliquei tudo. O motivo sou eu. Nasci pra ser livre, não quero estar preso a ninguém, porque não quero nada fundamentado em minha vida. Sou do mundo, da vida, do destino. Onde ele quiser estarei. Você merece alguém que te dê atenção, que te complete. Acha que estaria indo embora se não fosse pra isso?

-         Ela: Eu só sei que te amo. Ele: - Não adianta ! Você só sabe dizer isso. Há dias você só se manifesta dessa maneira. Desculpe, não quero te ofender, mas você deve procurar ajuda.

-         Ela: Amor é doença?

Finalmente, depois de dias e horas com apenas uma frase em seu vocabulário, ela falava algo diferente.

-         Ele: Não, Marina, amor não é doença. Amor é... é...

Desta vez, ele ficou sem palavras. E ficou em silêncio, alguns minutos. Colocou-se a ver o rosto dela. Os cabelos cacheados, o olhar doce, as maçãs do rosto ressaltadas. O perfume que ele deu pra ela formava uma cápsula ao seu redor. E o verde dos olhos dela ficavam ainda mais belos quando ela chorava.

-         Ele: Sei de um amor que você não conhece, Marina. Ela: - Qual?

-         Ele: O amor próprio. Ela: -  E eu sei de algo que você não sabe.

-         Ele: - O quê? Ela: - Que amor não tem rótulo. É simplesmente amor.

Mais uma vez ele ficou mudo. Perturbado, juntou suas coisas e se foi. Da varanda, ela observava o carro ir embora.  O seu passado dobrando a esquina. A sua vida rangendo os pneus. Um acidente terrível. A polícia. O tumulto. Ele estava morto. No bolso do casaco, um bilhete:

“ Sei que você vai embora pra sempre. Nunca mais nos veremos. Essa noite sonhei que você havia morrido. Mas tudo bem. O meu amor por você não morre. Em breve irei ao seu encontro. Beijos, Marina”

 

Escrito por Kitty às 20h20
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Promoção

Vidas a 1.99 Sejam todos bem ( ou mal ) vindos a era pré histórica de 2004, onde todos se matam por um bem (?) comum: a irracionalidade. Nossas vidas estão em promoção, quase a preço de banana. Elas podem valer um porta cd, um relógio, um tênis, um carro. Podem ter o mesmo preço de um carrinho dos nossos filhos, órfãos de segurança. Nossos mesmos filhos que saem de casa com medo de não voltarem mais. Hoje, o medo abala a nossa vida. Nossas casas tem muros, grades, cercas elétricas. Algumas ainda tem carcereiros, digo, vigias na porta. Sem nos darmos conta, vivemos em uma prisão de regime semi aberto. Podemos sair de casa, mas não podemos ir muito longe. O medo abala a nossa vida, e sem querer, vivemos em único regime: o da insegurança. Os jornais hoje servem apenas de artigos policiais. Quando um grande crime se resolve, outro tem que entrar para que a onda de barbaridades não acabe. E a justiça cada vez mais lenta. Todos estamos assistindo a um grande filme de terror, onde nós somos os protagonistas, onde não sabemos se haverá tempo para ganharmos o Oscar. Analise o seu dia. Perceba quantas vezes você entra no seu carro apreensivo, com a sensação de que a qualquer momento sua vida pode acabar na mão de pessoas delinqüentes.Porque a minha, a sua vida, essas não valem mais um centavo. O que importa se morrermos? O que importa deixar uma família, amigos, projetos, sonhos? Para os bandidos, assassinos, isso não vale absolutamente nada. A violência é prato principal de todos os dias. Não sabemos quem será o próximo a desgustá-lo. Ou ingerí-lo a força. E por mais que se trave uma batalha diária contra isso, o medo ainda impera e é quem controla a situação. E os traumas de quem passa por isso vão ficar por gerações, e a perpectiva é de que a situação piore a cada dia. Pense só em quantos sonhos você alimenta, pense em quanto tempo você leva pra comprar suas coisas, e pense em quanto tempo uma bala leva pra atravessar seu peito. Uma fração se segundo é o suficiente para criar um rombo enorme nas suas relações, nas pessoas que te amam. E lá estão as pessoas que você ama. Diagramados na capa e no interior de um jornal. Mais um amontoado de letrinhas formatadas nos anúncios fúnebres, os quais você passa em frente às casas funerárias e observa, rezando para que o nome ali formatado não seja o de alguém que você ama.. Simples realidade, difícil de encarar, e como a justiça cega, também fechamos os olhos, confiando na sorte e na fé. E a cada dia, tentamos nos dar conta de que pura e crua, a vida está sim em promoção. Porque qualquer valor é conveniente para que uma grande permuta seja feita. A sua vida por preços de liquidação. Mas... Quanto vale o sofrimento? A indignação? Isso sim, tem valor inestimável. E o pior: Pagamos esses preços por um longo prazo, nosso carnê de traumas tem muitas prestações, talvez vitalícias. Ou seja: o valor da vida, bem maior, irremediável, é pequeno. Mas custa caro pra quem fica. Vendo quem se ama ir embora de repente, sem prévia autorização. Sem ao menos dizer adeus. Por isso, dê valor a sua vida. Hoje ela vale 1.99. Mas não por muito tempo. Amanhã, ela pode estar valendo muito menos... Um protesto pelas mortes em todas as classes sociais. Pelos crimes que ficamos sabendo, e pelos que passam incógnitos por nossos olhos. Todos os dias.

Escrito por Kitty às 09h43
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15/06/2004


Mão única.

Por alguns momentos, em minha vida, eu acreditei muito que poderia voar alto, que poderia ir além. Mas, transcorrido algum tempo, alguns anos, eu passei a ver minha vida com outros olhos. Talvez não tão brilhantes, com certeza. Depois de alguns sonhos roubados, esperanças perdidas, um coração magoado, os nossos olhos perdem aquele brilho de antes. Nosso brilho de criança, de qdo não nos importávamos com os pés descalços, com as árvores de galhos pontiagudos, época onde tudo era festa, era brilho. E no teatro particular de minha vida, haviam sempre coisas bonitas. Meu quarto era rosa, minha cama king size. Um quarto de princesa, porque não de uma rainha? Afinal, que vida mais fantasiosa a nossa de criança, onde nossos pais diziam que ela era difícil, mas não estávamos nem aí. Depois a adolescência, as pernas tremendo no primeiro beijo. E nossas experiências malucas, espinha na cara, batom borrado, esperar o namorado. Tudo isso gera expectativas enormes, e nossos 18 anos trazem a expectativa da primeira carteira de habilitação, pra que possamos vagar pelo mundo, dirigindo nossa imaginação por estradas desconhecidas. No caminhos, algumas pedras, afinal, pagamos os impostos mas os buracos estão lá. E no solavanco do quebra molas que não vimos, nossas incertezas tomam forma de multa. O preço é caro, mas não temos os talões de cheque, nem os débitos bancários. E dá-lhe multa. Frustrações, perdas, a adolescência é profissão de risco, missão quase impossível. Mas, por obrigação, construímos nossa base para a vida adulta, que já está dando as caras lá na frente, na placa que diz: Bem vindo a vida – Entrada a 21 km. Dobramos por aqui. Não, não era esse o caminho. É.. Quem sabe por ali? Também não. No caminho, encontramos nossos amigos. Eles nos abanam do outro lado da rua, e nós buzinamos. Existem é claro, os que elogiam o nosso carro. Mas depois de um tempo, lá estão eles, riscando a lataria, espantados no outro dia, eles não viram nada. Quem foi que te traiu? Mas, nada que uma boa chapeação não resolva... Seguimos no curso, ora chove, ora faz sol. Que coisa confusa essa vida afinal. Ah, se eu pudesse voltar lá atrás, desistiria de dirigir, teria um motorista me guiando e tudo seria mais fácil. Não andaria a 150 km/h como sempre estou andando. Ou melhor, correndo. Eu queria a vida mais calma, segura de que mesmo que eu não vejo o outro quebra mola ali na frente, tudo corra bem. Mas ela não é nem um pouco lenta. Acho que a vida é mesmo uma free way. Se corro, bato no da frente. Se paro, alguém me atinge por trás. Pelo canteiro eu também não posso parar. Mas se saio da estrada, como vou sentir o vento batendo no meu rosto? Como vou sentir a magia do entardecer, das estrelas, do dia nascendo de novo? Não, melhor ir por aqui mesmo. Vou engatar uma primeira e vou embora... Mesmo que meu retrovisor não funcione, afinal, não posso ver de novo os caminhos que já pessei. Meus faróis, embora estejam altos, enxergando longe, não vêem muito além de dois palmos na minha frente. Essa estrada parece se formar a cada minuto, não sei se existirão aclives, declives. Pensando bem, essa estrada dá medo. Os carros a minha frente sentem o mesmo, estão apreensivos. Espero que possa ultrapassar as incertezas de minha vida. Estacionar eu não estaciono !! Mas quem sabe o refúgio? Hum.. boa idéia. Melhor ir para os braços de quem amo.

Escrito por Kitty às 10h36
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Ela mergulhou na piscina com a água fria e cortante. Tão fria que podia sentir seus ossos trincarem. De repente, a água começou a ficar turva, Era a sujeira acumulada em sua pele e sua alma. Ela tentava em vão deixar a água mais limpa, mas cada vez ela ficava mais escura. Depois de algum tempo, a água ficou quente E ela já não sentia mais frio. Compreendeu então que sua percepção era que alterava a temperatura da água. Mergulhada em seu mundo, ela pode então tornar a água clara outra vez. E viu que podia ir além.. Convidou amigos de alma limpa pra mergulhar em seu mundo. A água nunca mais estaria suja. Mas... que sentido teria a sua vida sem um desafio? Mais pessoas entraram em sua vida. E limpou tudo com primor. E toda a sujeira foi pelo ralo, afinal. Pro esgoto. Onde moram os ratos que lhe queriam mal. Sujos.

Escrito por Kitty às 08h46
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14/06/2004


Dia cinza

Foi quando ela olhou para fora, e viu que o dia estava cinza.
Procurou entre as nuvens uma maneira, uma saída,
mas não obteve resposta.
Foi nesse momento que ela percebeu que seu amor era pequeno demais.
Era grande, era imenso, ultrapassava a realidade.
Mas era pequeno perto de coisas mais pequenas,
Pequeno para lutar contra o curso da vida...
Foi então que o prédio todo ouviu o estampido.
Um buraco grande em seu peito era aberto,
Marcas que jamais sairiam de sua alma.
Ela sangrava, rápido, o sangue coagulando...
A dor era insuportável dentro dela.
O estampido ainda ecoava nos corredores do edifício.
Portas faziam mesmo um barulho alto ao fecharem.
Ele havia ido embora.

 

 

Escrito por Kitty às 15h26
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Ilusão em 29”

Celebridade X casou com celebridade Y. Logo após, celebridade Y conheceu celebridade Z e colocou X para escanteio. X, por sua vez (e por vingança) conheceu celebridades A,B e C e beijou todos em uma só noite. Consulte, caro amigo, as revistas de celebridades (e sensacionalistas ao extremo) e você vai ver essas manchetes aos montes. A capa, as primeiras páginas, a contracapa, tudo está lá. A vida exposta aos quatro ventos. Nos consultórios médicos,

Então, é engraçado ver a reação das pessoas: “Você viu só??? Quanto despeito ! Mal casou e já está com outro !!!” E por aí vai. Agora avalie só. Que tipo de encantamento faz as pessoas que trabalhem com televisão se tornarem diferentes dos outros? E passarem por julgamentos diferentes ! Veja por outro ângulo: Pense em quantos profissionais trabalham para que o jornal esteja lá, todos os dias, cedinho na sua casa. Se você for como eu, antes mesmo de acordar estará no pátio recolhendo o jornal, pronto pra ler a notícia, a manchete do dia. Amanhã, ele estará embalando peixe na feira. Mas a satisfação de ler o seu veículo favorito nas primeiras horas é maior que esse pensamento. Maior ainda que o preço exorbitante da assinatura. Ou não. E que tal os profissionais do rádio? Hoje em dia, poucos conseguem dirigir sem escutar as músicas e as notícias do rádio. Mas não adianta. Basta você parar na frente da câmera pra ser tratada diferente. Quanto glamour ! E as pessoas, em geral, pensando: “Olha lá ela.. Ganhando $ por mês pra ficar 10 minutos na frente da câmera falando por a+b as notícias do dia !” Mas... aí é que começa o problema. O primeiro se chama cobrança. Segundo a lei dita por não se sabe quem, a TV é subterfúgio das pessoas que passam o dia correndo de um lado pra outro, cansadas, cheias de problemas, e encontram os apresentadores de telejornal sentadinhos na bancada, arrumados, maquiados e alinhados. Eles não têm problemas, não se sentem tristes, estão lá, é a prova, sempre sorrindo e simpáticos. Será? Sem contar é claro, o portal dos modelo-atores e gravadores de CD: Os reality shows. Esses são campeões de audiência, e provavelmente vão chegar à edição 458 com 60 pontos ou mais no Ibope. Cá entre nós, todos nós sabemos que esses programas são grandes teatrinhos de fantoches, então, porque dão tanta audiência? E mais uma vez, a fuga do telespectador. Quem não quer assistir a pessoas comendo do bom e do melhor em uma casa com piscina depois de um dia almoçando em refeitórios e voltando para a casa sem reboco que fez em 36 x no consorcio do banco? Esquecemos, porém, que os repórteres e apresentadores não são virtuais (com exceção, é claro, de Eva Byte, do Fantástico). São de carne e osso, choram, borram a maquiagem, tem depressão (que faz você devorar 2 barras de chocolate em uma só tarde), são HUMANOS. Cada um deles sente paixão, amor, raiva, ódio. Podem ser mal educados com o resto da imprensa simplesmente porque estão em um dia ruim. Mas “ai” de quem não dar um sorriso na câmera alheia. Lá estarão eles na lista negra do “Antipáticos e Simpáticos do ano”. TV é isso tudo. Instantaneamente, quando se escolhe esse caminho, você está preste a entrar no mundo mágico da felicidade, não pode ter sentimentos, não pode estar triste e seu sorriso deve estar lá, estampado e bonito na hora do “Gravando!” Afinal, quem se importa? O que ninguém sabe é o tamanho da equipe que trabalha dois, três, quatro dias pra fechar um programa de 15 minutos. Que talvez você nem assista. Mas que demanda um grande trabalho, um esforço enorme pra que tudo seja providenciado a tempo. São editores, cinegrafistas, redatores, e na hora do aperto, talvez você tenha que assumir todas essas habilidades ao mesmo tempo. E nem adianta chorar, porque o programa tem que estar no ar. O show tem que continuar. Essa é a imprensa. Seja ela impressa, no rádio, no televisor. Todos os profissionais merecem respeito. Se não somos os “tops” da Universidade (Medicina e direito), merecemos a mesma dignidade. Pra que a sua vida esteja lá, ao ligar a TV. No canal Y. Na emissora X. Pra unir pessoas, mudar conceitos. Seja informando o tempo, a melhor hora pra pegar a estrada no feriadão, o banco que quebrou, a loja que inaugurou. Profissionais da imprensa contam histórias sobre o tema que vai estar sempre em evidência: A sua vida.

 

Um protesto pelos direitos da imprensa séria que trabalha pelo bem maior INFORMAÇÃO.

 

 

Escrito por Kitty às 14h30
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Meninos ( e meninas ) não choram.

Meninos ( e meninas ) não choram.

 

Quando você escutar a expressão meninos não choram, acreditem. Meninas também não. Porque chorar é feio, pelo menos é o que a maioria acha. Chorar é expressar sentimentos guardados, mas mesmo assim é contra a lei. Para conquistar alguém, então... Chorar é proibido. Você tem que se adaptar a vários joguinhos de sedução, de olhares fixos e depois delicadamente desviados, de fingimentos, de utopia. Chorar significa emoção à flor da pele, mas quem chora é fraco. Todos querem brincar de fortaleza, porque lágrimas deixam os seus orgulhos no chão. É como se o amor próprio caísse por terra de repente, só porque se chora na frente do outro. A idéia de humilhação é uma concepção errada quanto às emoções do ser humano. E é por essas e outras, que muitas vezes se deixam as emoções de lado para dar lugar ao orgulho. Este mesmo orgulho que faz você deixar de perdoar um amigo, porque não quer dar o braço a torcer. O mesmo orgulho que não permite volta, afinal, você não vai se deixar levar por um belíssimo arranjo de rosas vermelhas, se seu orgulho está ferido. Ele, aliás, é responsável também por você engolir a tristeza de pura vergonha de sentir-se fraco. Mas, pense bem, ser fraco também pode significar o medo de ser mal interpretado. E não falo agora só de tristeza, você também pode chorar de alegria. DE emoção. Talvez em um clima de nostalgia, ao lembrar das coisas boas e ruins que já passaram. Visitar um lugar e chorar pode significar apenas a emoção de estar de volta. A um tempo, à uma situação. E por aí vai. Você pode chorar ao reencontrar um velho amigo ou amor, na vida real, nos sonhos. Pode ainda chorar por saber de um resultado de exame, de vestibular. Quando ganhar aquele carro do pai, ou retirá-lo depois de pagar mais de quarenta prestações. Pode ainda chorar no nascimento do seu irmão, no batizado do seu filho. No desenho que sua menina te trouxe no jardim da infância, ou quando ela estiver se formando na faculdade. Pode chorar ao escutar aquela música que te lembre uma pessoa especial, mesmo que ela não esteja mais aqui. Talvez quando você conseguir aquele emprego maravilhoso, ou quando você for despedido, ora essa, pode chorar também. Não faz mal. O importante é saber que sendo homem ou mulher, idoso, criança... Você pode e deve chorar. Não é feio ou proibido. É simplesmente normal. É prova, inclusive, de sentimentos. E em um mundo tão frio, não se sinta menos por chorar. Ao contrário. Mostre que ainda existe amor. E que você o vive, mesmo que seja chorando. Porque meninas choram. E meninos também...


Escrito por Kitty às 14h29
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The time’s over.

Há alguns dias, estava me perguntando: Porque será que as coisas boas acabam assim tão rápido? Nosso dia a dia parece ser uma corrida maluca contra o tempo, lutando para alcançarmos os nossos objetivos.

São anos estudando, trabalhando, e no entanto, alguém aí pode me dizer quantos dias ainda vamos permanecer nesta selva chamada planeta? Digo isso porque conheço muitas pessoas que fazem da vida um programa de recursos e idéias, baseado em banco de dados familiares e de conveniência. Em resumo: os valores. Afinal, quanto vale o nosso “valor de berço” ? Muitas pessoas não percebem que o mundo é essa rotação de idéias e culturas, e por isso tem tanta dificuldade de se adaptarem. São as pessoas, a música, a educação, os ideais. E a vida, em um mundo paralelo de “primeiro a obrigação, depois o lazer”. Calma, calma. Eu não estou aqui para plantar na sua cabeça o ideal “seja um bagunceiro e jogue tudo para o alto”. É claro que precisamos alimentar sonhos, expectativas, mas... até onde a sua vida e os seus sentimentos entram nisso? Parece-me que a maioria das atividades está mecanizada demais. Acordar, trabalhar, almoçar, trabalhar, trabalhar, jantar... Onde estão as expressões: Lazer, viver, escolher, renascer? Talvez já nem existam mais no seu dicionário, seu empresário, jornalista, carpinteiro, materialista.

Se você parasse pra ver o mundo lá fora, as coisas que realmente podem lhe fazer feliz, com certeza esse computador já estaria desligado e você nem estaria lendo esse texto. Eu também trabalho, estudo, dirijo, me estresso, fico com dor de cabeça. E no fim de semana, apenas vejo refletida minha próxima semana. Atire o primeiro mouse quem nunca esteve em uma festa no sábado à noite e se pegou pensando na reunião de segunda, nem que seja pra arrumar uma maneira de acabar com o sono atrasado e as olheiras que vão acusar a balada e a farra dos dias de folga. Enquanto isso, o seu sábado, domingo, o seu feriado está passando. E a sua vida também. Seu tempo. Corra, mas corra rápido, infelizmente, no relógio da vida, a pilha é vitalícia. Aproveite o seu tempo pra jogar conversa fora, ir ao cinema, ler um bom livro, namorar. E diga sempre o que vier na sua cabeça. Ninguém está livre das infelicidades e surpresas da vida, então para que esperar? Quanta vez você já saiu de casa e por qualquer motivo pensou: “Na volta eu faço” . Mas que volta é essa afinal? Será que temos volta? Será que o pensamento “dinheiro é tudo” um dia vai sair do cofrinho de idéias da sua cabeça? E será que você já parou pra ver as doenças e deficiências do nosso mundo? Ou... do seu mundinho particular? O melhor mesmo é abrir o seu leque e se refrescar com ele. Não invista só na bolsa, invista em novas contas de amigos, negocie um fim de semana na serra, penhore o seu mau humor e corra pro abraço. Literalmente. Abrace o porteiro do prédio, o cachorro da vizinha que insiste em fazer suas necessidades no pneu do seu carro. Mas será que é tão difícil assim? Ok, então, em vez de abrir os braços, abra a sua mente. Veja no espelho não só o seu terno novo, mas o seu espírito. Se ele está refletido, é porque não é tão transparente assim. E se a vida é um jogo, aposte alto as suas fichas. Enquanto houver tempo. Enquanto o tempo passar...

 

 

 

 

Escrito por Kitty às 14h26
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Amor: Doença caracterizada pela ausência de dor. Se um dia, você acordar com uma sensação de vazio no peito, acredite: Algo está errado. Muito errado. Geralmente, a melhor saída, é buscar alguém que faça seu coração bater mais forte. Mas... E se essa pessoa não está mais aqui? Bom, aí já é outra história. Sabe-se que os principais sintomas de uma paixão mal resolvida são: Coração disparado ao ver quem se ama, sua mão suando frio ao tocar o cabelo de alguém o qual você sente o perfume ao longe e uma ponta de ciúmes quando ver essa pessoa com outro(a). Mas, se o amor é mesmo despertado e não emprestado, porque alguns têm a infinita magia de fazer seus batimentos cardíacos saltarem para mais de cento e vinte por minuto? Quem souber, por favor, me explique. Não falo agora dos prováveis rótulos adquiridos ao longo de um relacionamento , estes na seguinte ordem: beijo na boca – ficar– namorar– noivar - casar – casar – casar... Estou me referindo ao amor incondicional, amor de trocas, de olhares, de simples presença real ou alimentando os sonhos que embalam sua mente nas poucas sete ou oito horas que você dorme por dia. Amor aquele que mesmo não presente, você identifica no primeiro olhar. Amor esse, que já pulou todo e qualquer estágio, por sua vez na ordem: Encantamento – troca de olhares – joguinho duro – fingir que não viu – paixonite aguda – e mail – telefone (vá agora para o beijo na boca, etc e tal). É difícil descrever esse sentimento, embora seja o mais simples de todos entre o turbilhão de sensações que você sente durante o dia. Fato é fato, amor não se esquece, porque dizem os mais sábios (e menos entendidos) que se ama uma vez só. Será? Filosofias e teorias existem aos montes, os livros sobre o amor enchem as prateleiras das livrarias e as gôndolas de supermercado. Faça o seguinte teste: Olhe para o lado, e diga ao seu colega apaixonado a seguinte frase: Um furacão está se aproximando da cidade e provocará ventos de até 150 km/h. Ele com certeza vai dizer apenas: Aham. Sintoma número 285 da lei do amor que diz: Toda a pessoa apaixonada sofre de surdez aguda seguida pela expressão A-H-A-M. E é assim mesmo. Pode espernear, gritar, o amor está sempre no ar. E com a proximidade do dia 12 de junho então... Enquanto os demais viventes estão correndo em shoppings e enchendo os cofrinhos das floriculturas, você, solteiro, provavelmente vai começar o fatídico dia dormindo, almoçará rapidamente e dormirá de novo. Afinal, quer coisa mais chata que aqueles olhares perdidos nos restaurantes lotados e abarrotados de velas acesas e o perfume da paixão no ar? Não, você não vai se sujeitar a isso. E amor não resolvido é pior ainda. Dica: Passe a metros daquela caixinha que você guardou com as fotos e cartinhas de amor. Não se sujeite a isso, ao menos que queira colocar todo o seu estoque de lágrimas para fora. Mas não se preocupe. Seja no dia dos namorados ou em qualquer um dos outros 365 do ano, amor é sempre amor. Quem sente sabe exatamente como é. Sem explicação para os outros, mas com perfeito entendimento para você. Se você identificou neste texto uma história só sua, acredite: Já está de bom tamanho que só você compreenda. Porque amor é mesmo assim: Único. E se você acordar em outro dia com uma sensação de amor no seu coração, acredite: Os outros não vão entender o que você sente. Mas diga ao seu amor que é importante que ele saiba quem você é. E que você o ama. É o que importa afinal. Mesmo que seja esta frase, da história, um ponto final. Feliz dia dos namorados, enamorados e apaixonados em geral...

Escrito por Kitty às 11h54
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Bem vindos ao meu site. Um site que não tem diário virtual, que não tem cara. Um site que existe apenas para textos que saem da minha vida e das minhas experiências. Mas, mais do que palavras, ele também pode retratar a sua vida. Um grande abraço. E voem alto, com a minha e a sua imaginação...

Escrito por Kitty às 10h37
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