Kate´s Life


16/02/2007


Dois anos. Dois anos.

Ufa. Quase 2 anos se passaram do sono de Kate. Quando percebi que o site ainda é visitado, penso que está na hora de nossa amiga acordar. Kate vive isolada em seu mundinho particular. Mas sabe que deve sair à vida, que lhe chama, abatida: "Kate acorde! Temos muito o que conversar".

Kate se levanta. Os olhos não sabem muito bem o que registram. Um quarto branco, uma lâmpada sobre sua cabeça. Ela olha ao redor, assustada e confusa. Percebe que não está em casa, pois há luz. Uma luz branda, cálida, que cega ao mesmo tempo. KAte vira o rosto e vê uma porta. Na janela, bem à frente, sol entrando devagar. Pensou logo: "Será que morri?". Entra uma enfermeira. Olha bem pra ela. Não diz nada. Kate começa a questioná-la: "Onde estou?". Sem resposta. A mulher lhe mede a pressão, olha os dedos, abre seus olhos mais ainda e examina as pupilas. A pergunta se repete: "Onde estou?", agora em um tom um pouco mais alto. Nada. A mulher finge que não sabe de nada. Mas esconde todas as respostas que Kate precisa. "Onde???". Nada novamente. Kate começa a se debater. A mulher continua fingindo. E sai. Kate protesta. Bate as pernas na cama. E bate forte os pulsos no leito. Uma dor súbita a atinge. Ela olha e percebe. Duas grandes cicatrizes, mal fechadas. Dor. Ela não lembra de nada, a não ser da dor que lhe atinge agora, como na noite em que tentou cortar os pulsos. Suavemente com uma lâmina. A mesma dor volta, agora instalada também em seu coração.

Sanatório Villete.

Kate está começando a lutar contra si mesma. Sem vantagem para uma. Ou para outra.

Acorde Kate. Temos muito o que conversar.

Escrito por :::::: Cris :::::: às 00h16
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28/11/2005


Reflexões de Kate (Para quebrar o jejum)

Lá vem o velho.

Passos lentos.

Cauteloso pra não cair.

Lá vai o jovem.

Passos largos.

E na ansiedade de ser, não percebe e cai.

Lá vem o velho e sua experiência.

Lá vai o jovem e sua incoerência.

Escrito por :::::: Cris :::::: às 17h46
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14/10/2005


Um choro. Um estalo. A morte.

Preciso fazer compras. Quando saí vi que faltava o leite. Está bem preso? É melhor conferir. Está. Bom, preciso depois pegar ela na escola. Minha filha, minha jóia. Será que ela comprou leite? Não lembro de ter deixado dinheiro. Preciso falar com os dirigentes. Essa Copa vai ser boa. Que dor de cabeça. Mexer com dinheiro me deixa nervoso. Mas é só uma quadra. Continua aqui. Estou sentindo contra o colete. Não vai dar tempo de pegar ela na escola. Quando deixar o malote, eu ligo pra ela. Ela pega a neném na escola. Que celular bonito! 999,99. Há! Porque não dizem logo 1.000,00. Preciso de um celular novo. Que cheiro bom. Eu gosto do cheiro do pastel. pastel de carne. Ah, fritinho na hora, aquele cheirinho bom. Preciso me concentrar. Tem muito dinheiro aqui. E eu protejo esse dinheiro. Preciso comprar o leite. Onde será que tem uma boa promoção? Vou comprar logo uma caixa, pronto. Aí não me preocupo mais. Que confusão esse Centro! Meu Deus, é gente que não acaba mais. Há! O consumismo! Maldito dinheiro. Mas ele também me compra. Compra o leite. Que gente com pressa. Ahhh... esse cheiro de pastel de novo. De novo, bem forte. Que vontade de comer um pastel. Vou mais rápido. Na volta compro o leite, e compro o pastel. São quase 4 horas da tarde. O banco já vai fechar. E esses dois na moto? Parece que me observam. Ahh... para com essa paranóia. São só motociclistas em uma zona de alta população urbana. O centro. O centro do consumismo. Preciso comprar esse pastel. Ei.......ei........ pare com isso ! Me dá isso. Ei se afas.......................

Mais de cinquenta pensamentos cabem em apenas 1 minuto. Os pensamentos que você tem, que nós temos, enquanto caminhamos. Um tiro. Dois. A violência pode calar tudo, até um pai de família que protegia o dinheiro. E não conseguiu se proteger. Esse texto é uma lembrança do caso Gilson Neis, um pai de família morto brutalmente há quase 1 mês. De como a vida se calou em menos de 1 minuto.

Kate chora com a violência.

Escrito por :::::: Cris :::::: às 19h07
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06/10/2005


Os espelhos d´alma.

Kate chegou em casa bufando. Sair pra fazer compras era um desastre. Ela detestava encontrar pessoas, detestava filas intermináveis, odiava ter que dizer Bom Dia! Aos vizinhos. Faltava apenas uma quadra para que a doce, suave e darkness Kate chegasse ao seu destino. Caminhando distraída, ela apertou os passos e sentiu que ia tombar quando bateu de frente com uma mulher. Afrontada, Kate deixou as sacolas com pães caírem, e se botou a gritar:

-         Não olha por onde anda, não??????? – disse Kate, erguendo agora os olhos, pra olhar mais de perto aquela mulher.

-         Não, porque sou cega.

Kate sentiu a pele arrepiar. Os olhos da mulher tinham um vago brilho cinza, e ela não sabia o que dizer. Envergonhada, se ofereceu para pegar a bengala no chão, e se surpreendeu com a negativa da mulher, que silenciosamente apanhou o objeto do chão frio.

-         Não sou nenhuma incapaz. Eu mesmo pego minha bengala.

Ao olhar mais de perto, Kate pode observar o quanto ela era estranha. A mulher não enxergava nada, pelo menos nada daquilo que se pode captar com uma retina. E Kate parou pra pensar em quantas vezes bloqueou seus olhos, em quantas vezes seus olhos saudáveis (seriam mesmo tão saudáveis?) haviam se fechado pro mundo. Terminou de arrumar as coisas, e ia saindo quando ouviu a facada em seus ouvidos.

-         Tenho pena de você. Tenho pena de pessoas cegas – disse a mulher.

E Kate nunca mais esqueceu aquela frase, que fez a jovem Kate ficar surda.

Deficiências que nunca vão ser curadas.

Escrito por :::::: Cris :::::: às 21h39
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20/09/2005


Kate. She will be loved.

Kate tinha um apreço pelo amor. Mesmo que escondido em suas inconstâncias, dissimulado nas suas incertezas, Kate sabia que o amor era presente. KAte sabia ainda que o amor é um descoberta constante. Não se sabe o que é, em quem vai estar, de que forma vai se manifestar, se vai ser bom, se vai ser mau. Se vai fazer sofrer (sofrer não, sofrer sim. Para o amor de verdade não existe sofrimento. Será assim?), se simplesmente vai contemporizar o amor incondicional. Amor é tudo aquilo que se expressa, no sorriso nulo de Kate, em seus quadros de tintas frias. nas cores que Kate não combinava, não precisava. Kate precisava do amor. Era um impulso, fazer tudo com amor. Com paixão. O aquecer de uma manhã fria, o despertar de um coração frio. Kate não decifrava os códigos que a vida insistia em lhe falar, as peças que o tempo insistia em lhe pregar. O que Kate mais queria era sentir um amor diferente, singelo, e isso já sentiu, já sentia. Chamas, chamas que chamam alguém. Na lareira, naquele dia frio de inverno, as reflexões sobre o amor chegava, e iam embora, como cinzas. Não havia tempo ou raciocínio, não havia um a lógica para os amores de Kate, tão pouco para seu amor próprio. E na frente do fogo, o mesmo fogo que queimava o coração de Kate, depois apagava, o fogo que incendiava e depois deixava o coração de Kate cinza, opaco, na frente desse mesmo fogo estava a límpida e misteriosa Kate, utilizando-se de suas paranóias para suprir as próprias filosofias. As filosofias de Kate. Kate ia ser amada. She will be loved. Forever.

Escrito por :::::: Cris :::::: às 13h02
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14/09/2005


Kate não tinha amigos. Kate os procurava.

 

A rua de Kate, deserta, você já conhece, abriga casas antigas de madeira, e abriga saudades de tempo (novamente o tempo) não volta mais. Pela janela da sala, os vidros embaçados, ela observa os poucos que ali circulam. Ninguém chega perto da casa de Kate, nem mesmo o carteiro. Mesmo porque não há correspondências que liguem Kate ao mundo exterior. Kate nem sequer tinha um computador. Não tinha uma TV. Nem lia os jornais. Kate tinha seu próprio tempo, sua própria vida. Seus interesses que não eram políticos, nem sociais. Kate não queria ser reconhecida nas ruas, nem no próprio bairro. Ela era só. Só dela. Só do mundo. E repleta de ilusões incabíveis que a faziam sonhar. Na janela, porém, algo lhe chamou a atenção: Um menino passava, alguém de mais ou menos a sua idade (Kate observou os traços do rosto, a mesma tática utilizada na hora de pintar). Kate observou o quão bonito era, singelo, cabelos com a cor do sol, olhos brilhantes e azuis, pequeninos. Passava ele com pressa, olhando para a frente, nem sequer viu Kate ou mesmo a casa onde estava. Kate saiu. Cabelos negros, olhos expressivos, caminhar aguçado e arredio. Kate o chamou. Mais uma vez. Ele olhou. Olhou para trás com a pressa de um lince e seguiu. Kate sabia que ele não iria parar, mas o seguiu, e tomou a sua frente na tentativa de chamá-lo. Nada. Ele a colocou de lado com a leveza e a destreza de quem por muitas vezes já havia dito isso. Ela se mostrou solícita, querendo lhe ajudar no caminho. Porque Kate fazia aquilo? Estava louca, por certo. E no ímpeto de ser notada, gritou tão alto que os cães velhos da Sra. Thompson latiram ao longe, resignados. Ao parar, porém, ele simplesmente se virou e disse: Não. Kate não precisou de mais nada. Sabia que aquela resposta era de grande significado, e se virou pra voltar. Até o dia em que ele passaria novamente pela rua. E ela estaria na janela. Olhando os cães da Sra. Thompson dormindo. E a Sra. Thompson a observando da janela.

 

Washington Post, Novembro de 2004: Sra. Nicole Thompson é encontrada morta em sua casa em Garden Street. Os cães também.

Escrito por :::::: Cris :::::: às 21h11
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Kate e o tempo. O tempo de Kate.

Tempo. Temos tempo.

Temos todo o tempo do mundo, mas não mais o que foi. Kate sabia que o tempo era relativo, e pensava nos caminhos que iria seguir. Um minuto depois de pensar sobre isso, viu que tinha perdido tempo. Todos os dias, Kate observava o movimento rotativo do sol e das estrelas, que se erguiam e se iam, e ficava com medo ao pensar no tempo. Um emaranhado de caminhos, de idéias, de conceitos e pessoas. Os ponteiros passariam novamente pelo mesmo lugar, mas Kate observava cada segundo como se fosse o último. Minutos e horas depois, tudo seria diferente, mesmo que o relógio passasse mesmo pelos números iguais. Kate não sabia de seu rosto, de suas marcas do tempo, ainda inexpressíveis. E mesmo assim sentiu medo. Tentava imaginar sua vida dali a um ano, dois. E percebeu que por mais planos que tivesse, ela dependia desse tempo.Escravos de relógio, poderoso relógio. E quantas vezes Kate viu as pessoas chegarem e irem embora de sua vida, na mesma rapidez. Que tempo rápido. Esperar na janela, esperar por alguém que prometeu vir, que demora, ora! Tempo lento. Esperar que a tinta seque e mudar os traços nos quadros de Kate. Tempo ingrato. Levar anos pra amadurecer seus pensamentos, ah! Bendito tempo. Relativo. Incisivo. Sábio. Sábio tempo que faz esquecer, que faz aumentar a saudade. Kate passa na estrada e deixa mais alguém na próxima parada. Kate segue. Tempo. Não temos mais tempo.

Escrito por :::::: Cris :::::: às 12h34
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13/09/2005


Música para distrair Kate.

 

  • Desde hoje.
  • Para sempre.
  • Qria eu mesma, sozinha, esquecer.
  • Desde ontem.
  • Ao que me queira.
  • Queria simplesmente não ver.
  • E se na hora,
  • Perco o sono,
  • E me viro pra no teu corpo me aquecer.
  • Sinto um frio,
  • Um apoio,
  • E acordo pra sonhar e permanecer.
  • Se acordo,
  • Saio da cama,
  • Me olho no espelho sem me reconhecer.
  • E te chamo,
  • Mas não quero,
  • Ter por perto o que me faz sofrer.
  • Se te esqueço,
  • logo lembro,
  • Dos momentos que insistem em ficar.
  • E na lembrança,
  • no teu beijo,
  • O amor que morreu e quer voltar.
  • Fica o desejo, 
  • e uma angústia,
  • A certeza de que não quero arriscar.
  • Te perder de novo,
  • me perder no sono,
  • O sono que embala o sonhar.
  • Sonhos.
  • Vida.
  • Sonhar.
  • Kate e seu violão. Um dia de chuva pra distrair o sol.

Escrito por :::::: Cris :::::: às 13h22
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12/09/2005


Cris Dragonfly. Kate Butterfly.

E um dia Kate resolveu que colocaria Borboletas em suas costas. Chamou um tatuador. E elas estavam ali. Um dia Kate mostraria a todos.

Escrito por :::::: Cris :::::: às 19h28
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06/09/2005


Kate's angel.

 

Os pés de Kate no lago refletiam alguns caminhos que já haviam sido percorridos. Talvez não pelos pés da jovem Kate, mas pelos seus pensamentos sempre andantes, sempre distantes. E Kate sentada ali, a beira de um lago qualquer, desejava apenas ser um anjo por alguns instantes, pra voar acima de seus próprios sonhos. A sensação que lhe vinha ä mente era de um sonho que já havia acabado, e por vezes Kate tinha essa sensação estranha. De que as coisas terminariam a qualquer momento, e rápido demais, como um estampido de arma fulminante, cortando a velocidade da luz, e levando embora os momentos bons que passavam, brevemente, pelo coração. Como se a vida tivesse lhe estapeado por muitos anos e dias, mas agora, por trégua, a vida também cansava de apanhar de Kate. Porque Kate era assim. A jovem e desprotegida Kate carregava em si uma força que propriamente lhe dava algum medo.  Era algo devastador, que Kate continha, uma revolta que por vezes lhe machucava o coraÇão. E quanto mais a vida batia, mas Kate revidava. Era assim, ou apanhava. E diante de tanta superação, Kate puxava fôlego para as demais batalhas na beira daquele lago que na verdade não existia, ele estava ali, nos sonhos fechados e únicos de Kate. E ela sonhava sempre como lago, o lago que lhe dava fôlego para continuar, machucada, por certo, mas cada vez mais forte. E Kate ficou ali, ofegante, depois de suas batalhas pessoais vencidas, ela era só mais uma lutando contra si mesma. Apenas mais uma querendo que um anjo viesse lhe buscar e dar-lhe uma folga da vida que insistia em continuar. E KAte ali, os pés no lago quente, até sentir as costas doendo. E doendo mais. E Kate sabia que o único anjo que poderia lhe salvar era ela mesma. “Não espere que ninguém segure sua barra”, ela lembrou. E nas costas de KAte as asas estavam presas. Até ela acordar e enfrentar a vida novamente.

Escrito por :::::: Cris :::::: às 20h35
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05/09/2005


Kate brincando com as borboletas no jardim

Belo dia. Dias de sol na vida de Kate. A pele branca refletia um ar de domingo, embora fosse segunda-feira. Kate levantou cedo, não pela insônia, mas pela ânsia de um dia diferente em sua vida. Saiu da cama com os pés quentes, e os botou no chão gelado. O cabelo era desgrenhado, com pontas sutilmente soltas, formando uma cascata negra que ia até a cintura. Olhou no relógio. 7:12 AM. Cedo para os horários exorbitantes de Kate, que lembrou que tinha um relógio só naquele momento. Botou um vestido preto. Depois trocou por um azul. E novamente por um preto. Há de ser diferente todos os dias, mas não poderia ela perder sua essência. Caminhou até a porta, mas aquele caminho era estranho, afinal, na rua em que morava, deserta, mas arborizada, poucos se atreviam a ficar em casa, mas Kate, como sempre, era a exceção. Brevemente, em um movimento rápido, girou a maçaneta. A sensação que sentiu pode ser descrita como: Um dia de frio, e um cobertor que estava no sol sendo enrolado em você. Haveria sensação melhor. Kate foi de pé em pé, e caminhou lentamente até o portão, que rangeu de surpresa, e de falta de costume. Ao andar, Kate viu que as árvores faziam sombras bonitas no chão, como suas pinturas. E iam formatando cores, texturas, texturas que encantaram a jovem desprotegida, mas tão forte Kate. Ao chegar no fim da rua, viu a placa contra o muro do Jardim Sunset. RUA SEM SAíDA. Em outros tempos, Kate desistiria, e voltaria a se fechar em seu casulo de pedra. Mas desta vez ousou. Tirou os sapatos, e pulou o muro. E descobriu que atrás do muro sem saída, havia o mais belo jardim de seu bairro. E Kate jamais poderia descrever o jardim, porque haviam nuvens no céu se movimentando rapidamente, e desenhavam mais sombras no chão, e havia também um vento quente, que mexia devagar os cabelos de Kate. E as árvores eram lindas, mesmo com as flores pequeninas caídas no chão, formando um tapete colorido. E sentindo os pés descalços na grama fofa, ela percebeu que atrás dos nossos muros pessoais sempre existem os jardins. Kate fechou os olhos. Depois abriu. E foi brincar com as borboletas.

Escrito por :::::: Cris :::::: às 21h01
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30/08/2005


AMO muito tudo isso.

 

Dois Hambúrgueres, alface, queijo, molho especial, cebola e picles, num pão com gergelim. É Big Mac.

 

Não. Não são só esses os ingredientes de um dos sanduíches mais famosos do país.

 

O Big Mac é feito de uma massa de pessoas que contribuem por um bem comum: A vida. Que trabalham durante meses para compor apenas um dia, que vai render muito. Uma massa de sabor especial, que unida rende vitórias.

 

O Big Mac é feito de pitadas de alegrias, com brincadeiras para falar de coisa séria. Afinal, criança é pra se lambuzar com hambúrguer, e não para sofrer com uma doença ingrata.

 

O Big Mac tem a embalagem de um sorriso, que ainda na falta de dentes sabe sorrir. As janelas dos mesmos dentes de leite que agradecem uma ato de carinho. Um ato de solidariedade. Um dia feliz. Um Mac Dia Feliz.

 

O Big Mac também é feito de sabores diferentes. Não ainda descobertos por inteiro, o sabor da gratidão, da alegria de um momento, de vestir uma camiseta, de fazer parte de um time.

 

O Big Mac ainda é feito de esperança, de dedicação. Cada meta é uma vitória, e é nessas metas que se depositam a confiança em uma nação que não trata de doenças, e sim de pessoas. De pequenas e adoráveis pessoas.

 

O Big Mac traz um aroma de felicidade. Quente, sai da chapa para saciar uma fome. Uma fome de união, tão rara nos dias de hoje. Ele vem com um cheirinho de aconchego, um desses cheirinhos que sentimos na casa dos nossos amigos.

 

O Big Mac não tem receita pronta, são milhares de unidades diferentes. Diferentes como as nossas metas individuais, muito menores que a nossa força de fazer um mundo diferente. Nós podemos muito. Nós podemos ser Mac Felizes. Mac melhores. Mac solidários.

 

E por fim, gostaria de dizer que voluntários não trabalham de graça. Ganham muito em troca. E que preço dar a um sorriso de criança? Impossível calcular...

 

Mc Dia Feliz 2005. 112.000.00 arrecadados. 6.600 lanches vendidos. E uma experiência q vou levar para o resto da vida.

Escrito por :::::: Cris :::::: às 20h28
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She´s free.

 
Kate sentada na cama, às 22:13 de domingo. Uma certa ansiedade em seu peito. Algo estava errado. Algo estava definitivamente muito, mas muito errado. Olhou para o teto, as estrelas brilhantes continuavam no forro. Nada mudara de lugar, mas Kate e sua habitual desconfiança dançavam juntas. O que estaria acontecendo? Respirou. Olhou ao redor. Nada de estranho. O que era afinal? Kate respirou fundo de novo. Não havia sequer um esboço de tristeza ou de alegria. Estava tudo neutro. Neutro. Neutro? Estranho. Há tempos o coração de Kate pulsava de alegria, ou de encolhia de tristeza. Um ou outro. Nada meio termo. Nada de tons neutros. Não sentia tristeza. Nem apertos no coração. Nem nada. O coração pendia leve, absoluto, cortês. Não havia nada de pesado, e pela primeira vez em pouco mais de três anos, o coração de Kate estava sereno. Leve como uma borboleta. Livre como uma libélula. How a dragonfly. Simples, batendo devagar e compassado. Sem maiores dores ou ansiedades. Pleno. Era algo estranho, afinal. Kate não era dessas coisas, era extremista. Oito ou oitenta. Me ame ou me odeie, mas sinta algo por mim. Mais uma respiração. Leve, confortante. Kate não podia acreditar. Depois de minutos olhando para o teto, de fitar a si mesma no espelho, de girar os olhos em volta, em busca de respostas, ali estava o resultado de tudo aquilo. E o motivo estava claro. Kate sentia o coração leve apenas por uma coisa. Estava livre das correntes.
 
Throw away the chains
Let love fly away
'Till love comes again
I'll be... okay

 

Escrito por :::::: Cris :::::: às 11h51
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23/08/2005


O dia em que Kate quis ver estrelas

Curiosidade. Kate debruçada na janela embaçada pela chuva. Onde estariam as estrelas nos dias de chuva? Não sabia. Mas estavam lá. Em algum lugar, atrás das nuvens que se formavam, que mandavam mais água pro mar. Minutos que se perderam, a chuva cessara e o céu começara a abrir. Kate pode ver uma. Duas. Três pontos brilhantes no céu. Fixou o olhar em uma, perdeu a outra. Viu a outra, perdeu a terceira. Porque não era possível ver todas as estrelas ao mesmo tempo? Porque não notar a imensidão do céu por inteiro, para contemplar o infinito? Kate saiu da janela. Precisava descobrir. Buscou os livros científicos, fez estudos sobre as dimensões do céu, o olho humano, a intensidade da luz de cada estrela. Entrevistou pessoas, vizinhos, o cachorro, o gnomo de pelúcia. Não encontrou nada além de silêncio. Voltou pra janela, o céu estava quase limpo agora. Kate via cada vez mais estrelas em sua percepção, mas acontecera de novo: Cada vez que se fixava em uma estrela perdia as demais. Não havia explicação para aquilo, pois se não o universo criaria uma maneira de emanar poucas luzes, e não tantas, e tão belas, ao mesmo tempo. Kate tinha poucas respostas. Mal e mal conhecia a si mesma, que dirá ao sistema das estrelas. Mais estrelas, mais brilhantes pipocavam de céu. E de um telescópio no sótão veio a resposta. Ao mirar uma estrela, Kate viu o quão bela era ela. E percebeu que cada uma poderia ser vista de uma só vez, porque o brilho que ofuscava a lente era digno de uma contemplação  única. Assim Kate veria o quão brilhantes eram as estrelas. Mas uma de cada vez. E assim Kate começou a perceber as estrelas no céu, todas que poderiam lhe trazer o brilho de uma noite solitária. Até que o tempo fechasse e começasse novamente a chover. Não importava, afinal. Aquele brilho estava guardado nos olhos e no coração de Kate.

Escrito por :::::: Cris :::::: às 20h18
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16/08/2005


Um amigo pediu à Kate q ela pudesse definir a paixão. Ela o fez.

 

Definir paixão. Indefinível. É um sentimento, confuso, mas pleno. Indescritível, mas cheio de detalhes. Cheio de próprios detalhes. Não é igual à paixão do vizinho, mas o vizinho pode ser vítima de uma paixão. Não tem a mesma intensidade do amor, embora não se saiba exatamente quando um começa e o outro termina. Paixão não escolhe o sexo, a saúde, o nível de inteligência emocional. Nem quantos cálculos poderiam ser feitos em segundos para medir seu próprio nível. Capaz de fazer alguém gritar de felicidade durante horas, ou simplesmente emudecer. Devagar. Ou fulminante. Cultivada ou cativante. A paixão é mesmo tudo isso e um pouco mais, nunca um pouco menos. Quem já se apaixonou sabe o tempo perdido na janela pra ver o outro passar, sabe quantas vezes ligou no telefone pra ouvir a voz e desligar. Sabe quantas vezes mandou rosas, recebeu orquídeas. Paixão tem tantas cores que uma cartela inteira jamais poderia definir, porque, de tantas cores, as misturas também seriam válidas. Paixão dura horas no e mail, no bate papo. Nas trinta e cinco vezes que você se despediu no portão, e voltou pra dar só mais um beijo. Paixão tem uma ligação espiritual, basta olhar pra se apaixonar à primeira vista, basta odiar pra transformar em amor. Se é mais baixo, se é mais alto, se tem cabelos longos ou careca. Se é loiro, moreno, negro. A raça não importa. Porque paixão é vira lata, não tem pedigree. Não escolhe nome ou sobrenome. Vive pelas ruas, em busca de um olhar perdido ou proposital. Quem procura, dizem que não acha. Quem encontra pode perder, botar os pés pelas mãos, escolher. Não escolhe ela hora ou lugar. Pode ser meio dia de chuva. Pode ser meia noite de luar. Só não pode ser nula. Vazia. Paixão é tudo. É poesia. E pra quem pensa que encontrou a sua, digo que paixão não se sacia. Procura sempre mais, está sempre disponível, é cortesia. Não cobra seus préstimos, mas cobra atenção. Chama, combustão. Procura alegrias, mas chora de saudade também. Basta estar longe, ou perto. Paixão, por onde desperto? Preciso saber pra ficar distante. Do sonho não quero acordar.

Escrito por :::::: Cris :::::: às 19h30
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